sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013




OLÁ, SEJAM TODOS BEM VINDOS!

Meu nome é Isaias Amorim
Faço 42 anos em maio de 2013
Eu escrevo há 10 anos

Agora vamos falar sobre o meu livro? “ENSAIO SOBRE A SABEDORIA”

Ele conta a história de um rei muito sábio que vai oferecer, na primeira parte, algumas dicas para ajudar muito aos seus leitores a serem pessoas mais sábias e justas, na segunda parte, entretanto, ele vai ensinar algo surpreendente que marcará a vida de muitos leitores; a seguir comentários de alguns leitores:
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Laura (professora de literatura, portuguesa inglesa): "Tudo começa como uma charada. Um acidente, a procura de um bode expiatório, a ira, a raiva do Homem, a sede de vingança. Estórias cruzadas e entrecruzadas, um interno interessante. Um rei humilde que escuta que vê e que não tem medo. Uma linha tênue separa o bem e o mal, num utópico, mas maravilhoso sonho mágico com uma forte componente religiosa. Vale mesmo à pena ler".
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Regina (professora de literatura). "Oi, Isaias, li o seu texto, achei interessante, com algumas colocações diferentes e inteligentes. Eu acho que você tem estilo. Permitindo-me dizer, essa mistura que você fez com a realidade, o cotidiano e com religião, isso mostra a sua personalidade e seu estilo. Eu sou uma professora de literatura e entendo isso perfeitamente, consigo enxergar o conteúdo filosófico, o moral como pano de fundo, misturando a religiosidade, o bem e o mal etc.. Mas outras pessoas, talvez não consigam, não espere que isto aconteça talvez elas enxerguem só um conto..."
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Nil (cientista social): Vou fazer agora um livre comentário, mas se desejar que eu divulgue seu talento, o que puder fazer farei... Gostei do livro tema discutido durante o enredo é muito "saudável": a sabedoria. Você nele (no livro) consegue fazer com que o leitor, mesmo até os menos esclarecidos , pense, investigue, coloque a mente para trabalhar,você conseguem fazer com que qualquer pessoa conheça um pouco dos limites que o conhecimento impõe a quem deseja conhecer, ou seja, consegue nos fazer "cansar" de tanto pensar, questionar... Gostei , sobretudo, a questão como foi tratada a sabedoria cristã, do modo como ela é abordada. Percebe-se que seu livro não ignora o valor que tem Cristo para cada um de nós. Percebe-se que você evangeliza: sim, porque o rei (o personagem do ensaio) é um homem sábio e que ainda busca um algo mais(um espelho para salvar sua alma da dificuldade que é julgar com consciência, que é julgar os conflitos peculiares das relações humanas, que é vencer a dúvida e as injustiças que produproduzimos). Portanto, seu livro é criativo, e muito bom. Um livro que , inclusive, educaria muitas e muitas crianças ou adolescentes. Os pai , se educassem , não os deixariam embriagados com a cultura de massa, com a mídia do consumo, protegeriam da ignorância que muito preocupa a cada um de nós cidadãos, seriam mais ativos no combate aos valores atuais...
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Rosi Sampaio (pedagoga) "Seu futuro livro veio a mim em um momento muito adequado. Maravilhoso, uma lição de vida. Nele entramos em contato com nossa realidade social, humana e o principalmente a espiritual. Antes de chegar a parte que trata de Jesus Cristo, lembrei-me muito do sermão da montanha. Não vejo em seu livro apenas mais uma obra literária, mas sim uma forma de acordar a humanidade para o que realmente importa. Que Deus continue te abençoando poderosamente, fazendo suas mensagens tocarem em nossos corações, e que as pessoas ao lerem seu livro, possam refletir e reconhecer o que realmente importa nessa vida. Agradeço a Deus por você ter cruzado meu caminho...".


Professora Adriana: Isaias, o livro Ensaio sobre a sabedoria é de um teor admirável e recomendo a todos meus amigos e a quem possa interessar pois retrata bem a nossa vã maneira de agirmos erroneamente em nome da justiça. Muitas vezes, cauterizados em nossas convicções, somos injustos, arrogantes, implacáveis e fúteis, o pior é que nos consideramos dignos de reclammar por justiça aos nossos governanates quando na verdade somos relapsos nas pequenas atitudes que fariam grande diferença na vida das pesoas. O melhor desse livro é a sabedoria verdadeira que está toda enfatizada no evangelho de Jesus Cristo, nosso Salvador, pois Ele sim é nossa justiça e seu amor nos ensina a perdoar, a não julgar e a amar nossos inimigos também. Esse livro abrirá a mente das pessoas para conheceram a verdade única que é Jesus, pois muitos estão com fome e sede de justiça e só Ele é a solução. Parabéns! Que Deus continue te iluminando para a disseminação do evangelho!
Agora fiquem com a leitura desse “livro” citado e comentado

ENSAIO SOBRE A SABEDORIA – Livro 1

ESTAMOS no segundo domingo de Maio em frente ao Hospício Municipal onde há um ponto de ônibus e neste momento uma vendedora de cachorros-quentes estaciona seu carrinho e deseja a todos que estão esperando seu transporte:
-- Bom dia, pessoal! O dia está quente hoje, não é mesmo?
Um rapaz magricela simpaticamente responde:
-- Bom dia, dona. É, realmente está muito quente hoje.
Um homem gordo suando muito e querendo ser agradável:
-- Bom dia. Que você tenha um lindo dia!
Uma dona-de-casa que está olhando seu relógio diz com um sorriso falso:
-- Bom dia. Está quente mesmo! Espero que chova senão vou derreter...
A vendedora de cachorros-quentes oferece:
-- Quem vai querer comer um “hot” fresquinho?
O homem gordo salivando de vontade de experimentar o lanche:
-- Eu queria um, mas estou de regime, muito obrigado...
A dona-de-casa diz:
-- Acabei de comer em casa...
O rapaz magricela que não gosta de comer na rua diz desdenhando:
-- Se eu comer isso ai não vou ter apetite para o almoço do dia das mães e conhecendo a minha mãe, com certeza, ela vai ficar muito chateada se eu não almoçar com toda a família.
A vendedora de cachorros-quentes visivelmente aborrecida:
-- Pôxa, ninguém vai comer “nenunzinho”, como vou viver se ninguém comprar nada? Tenho aluguel para pagar.
A dona-de-casa  responde-lhe rispidamente:
-- A vida não está fácil para ninguém; meu marido ficou desempregado por 6 meses...
O homem gordo ainda com vontade de provar um cachorro-quente confessa:
-- Eu igualmente estou com dificuldades financeiras.
O rapaz magricela querendo pôr um ponto final na discussão brada:
-- Minha senhora, as pessoas estão sem dinheiro e eu também. E, outra coisa, ainda é muito cedo para se comer isso. Por acaso é seu primeiro dia vendendo?
A vendedora faz uma expressão de desânimo:
-- Não, faz um mês... Estou tentando conseguir um dinheiro extra.
O rapaz magricela faz um sinal com a cabeça mostrando que havia entendido e se cala.
O homem gordo querendo se mostrar inteligente:
-- Esse país precisa de um bom governante para olhar melhor os pobres, pois  “esses caras” que entram no poder só querem roubar o povo, eles acham que foram eleitos só para desfrutar da boa-vida às nossas custas e não fazem nada a não ser roubar ...
A vendedora diz:
-- Se eu fosse a presidente desse país seria muito justa e sábia, governaria para o povo carente! Eu realmente acredito que tenho capacidade especial para governar melhor que essas pessoas que estão no poder! Sempre fui pobre e sei o que os pobres necessitam, entendo suas carências e desejos.
O rapaz magricela se imagina no poder:
-- Se eu fosse governador faria justiça, daria o melhor para o povo; no meu governo a paz e a harmonia iriam reinar comigo. Minha justiça e sabedoria iriam fazer a diferença e o povo iria se orgulhar do meu governo e eu entraria para a história como exemplo de boa administração.
A dona-de-casa tem a sua vez:
-- Eu queria ser prefeita dessa cidade, com minha sabedoria e justiça, governaria muito bem esse município. Acho que essa cidade precisa de alguém igual a mim para fazer dela um exemplo a ser seguido. Viriam postulantes a cargos públicos de todo o mundo estudar a mim e ao meu governo a fim de aplicar em seus países minhas atitudes.
A vendedora de cachorros-quentes acreditando ser uma defensora dos pobres e dos oprimidos volta a se pronunciar empolgadamente:
-- Com toda certeza eu seria um exemplo assim também; todos iriam se espelhar em mim e se todos me seguissem faríamos um mundo muito melhor para se viver.
O rapaz magricela diz a mesma coisa e o homem gordo idem; acham-se um exemplo de competência, justiça e sabedoria. Acham que tudo mudaria com eles no poder; e até imaginam estátuas deles em todos os lugares.

A dona-de-casa repara que o ônibus está demorando muito e olha de novo para o seu relógio e a vendedora de cachorros-quentes conta que está indo embora, pois precisa vender seu produto, mas antes diz:
-- Estou exausta... Não dormi bem essa noite, descobri que minha filha é uma perdida na vida e eu a expulsei de casa ontem e não consegui dormir, pois tenho muito medo de dormir sozinha. O pai dela nos deixou há 10 anos e desde que isso aconteceu essa menina era a minha vida. Sabe, ela fez 13 anos ontem; eu acreditava que ela era uma criança, mas, agora, já que ela prefere essa vida de perdição... Engravidou... Sei que tenho de me acostumar com isso.
O rapaz magricela resolve falar sobre um fato de sua família:
-- A senhora fez muito bem, essas meninas só dão desgostos e desonra para suas famílias. Minha irmã igualmente engravidou de um homem que ela nem conhecia e meu pai a pôs na rua. Não ficaria bem à família permanecer com ela em nossa casa. Essas meninas só querem saber de vadiagem! Acho que meu pai e senhora deram um bom exemplo e devem ser seguidos por todas as pessoas; assim essas meninas farão escolhas melhores.
O rapaz magricela defende isso com uma expressão facial de quem está dizendo a coisa mais certa do mundo e se cala orgulhoso de si mesmo.
A dona-de-casa que consegue ficar um minuto sem olhar para o seu relógio dá o seu parecer:
-- Eu que só cuido da minha vida e procuro ser justa, mas, até já ouvi falar muito dessas meninas sem juízo, acho que, inclusive, tudo isso acontece por falta de umas boas palmadas quando são pequeninas.
O homem gordo diz logo em seguida:
-- Se eu fosse o governo daria um jeito nisso de alguma maneira, mandaria esterilizar essas meninas sem juízo! Acredito que os filhos dessas meninas sem nada cabeça contribuem e muito para o mundo estar tão ruim...
Cada uma das pessoas diz uma barbaridade pior do que a outra; acham que têm um jeito melhor de punir essas meninas e dar um exemplo mundial e reivindicam uma oportunidade de provar suas teses, competência, sabedoria e justiça.
De repente, colocando a cabeça para fora por um buraco do muro do Hospício Municipal, um interno olha para cada um dos que estão do lado de fora e com uma expressão de um observador decepcionado e bravo pergunta:
-- Ei, ei, psiu! Ei, ei, psiu! Vocês se acham pessoas sábias e justas? Acham que seriam bons governantes? Acham mesmo que o que vocês fizessem em seus pretensiosos e absurdos governos teriam que ser copiados? Acham-se justos e sábios mesmo? Isso até parece piada de louco; aqui dentro ouço muitas. -- O interno diz isso e começa a rir sagazmente e diz:
-- Confesso que nunca ouvi tantas maluquices juntas em tão pouco tempo! Vocês realmente são bons nisso... Parabéns! Se vocês quiserem se internar aqui eu posso dar um jeitinho para começarem o tratamento hoje mesmo. Estou aqui faz muito tempo e conheço os diretores desse lugar.
Ao escutar o que o interno disse, a vendedora responde indignada com a petulância daquela intrusa e indesejada figura que está do outro lado do muro:
-- Você está nos agredindo com suas palavras!
E o interno:
-- Vocês é que estão agredindo aos meus ouvidos, à minha inteligência, ao meu bom-senso e à minha lucidez com essas asneiras que estão dizendo... Eu estava descansando aqui atrás e não consegui cochilar, pois achei que deveria ajudá-los a não dizerem mais maluquices! Nem absurdos! Nem asneiras!
O homem gordo até perde o apetite e muito bravo diz:
-- Você não passa de um louco! Está aí preso porque faz mal à sociedade! É um doente mental...
E o interno responde calmamente:
-- Louco é quem não tem noção do que diz e faz e vocês se enquadram nesse perfil, eu não. É um fato que estou cativo aqui, mas não faço mal à sociedade! Vocês sim, pelo que eu pude ver fazem muito mal à sociedade...
A dona-de-casa de tão irritada que fica com o interno nem pensa mais no seu compromisso:
-- Então por que você está preso aí e nós estamos aqui fora livremente?
O interno faz uma expressão de tristeza e a responde como se falasse com uma criança:
-- Porque o mundo não é muito coerente. Mas ainda bem que existe este muro para me proteger de pessoas como vocês! E digo mais, se vocês fossem governantes piorariam muito o mundo! Seriam péssimos exemplos...
O rapaz magricela revoltado com o interno diz aos berros:
-- Não dêem ouvidos a ele; não vamos contrariar esse doido... Droga de ônibus... Por que será que está demorando? – diz, tentando desviar a conversa e fazer com que o interno os esqueça.
A dona-de-casa que nesse momento está no limite de sua raiva se manifesta:
-- Meu rapaz... Vai tomar o seu remedinho, dorme bem gostoso e calminho, tudo bem? Estamos falando sobre coisas importantes aqui, não percebe?
O interno em tom de deboche responde:
-- Estão falando sério? – De novo começa a rir e diz -- Nem quero estar aqui por perto quando vocês estiverem brincando de serem tiranos, injustos, ditadores, carrascos etc. Mas direi mais uma coisa a todos... Não é necessário ser governante para mudar o mundo e ser um exemplo a ser seguido... Podemos mudar o mundo com pequenos gestos.
Todos riram do interno nesse instante; a vendedora quase não consegue falar por não conter o riso e diz com um falso tom de bondade como fazem todos os tolos -- Parabéns, garoto, conseguiu passar no teste que inventei nesse instante, testei a sua maluquice e você é o mais louco que já vi! Por falar nisso... Não está mesmo atrasado para tomar o seu remedinho e ir dormir?
E o interno tentando mostrar que o que ele está falando tem coerência, diz:
-- Sim, já tomei... Mas é verdade o que eu disse, podemos mudar o mundo com apenas pequenos gestos... E vocês, sendo governantes, cometeriam grandes injustiças com o povo... E entrariam para a História como tiranos...
O homem gordo indignado com o que acaba de ouvir do interno imediatamente diz -- Por que diz essas coisas sobre nós? Você não tem esse direito; pagamos nossos impostos para você ter tratamento de graça e retribui com ofensas?
O interno prontamente responde com uma atmosfera de desafio:
-- Eu também inventei um teste para provar que vocês não seriam bons no governo... Eu poderia propor esse teste e mostrar-lhes que tenho razão no que estou lhes dizendo?
Todos se entreolharam e riram do interno, mas mesmo caçoando muito dele aceitam o tal teste; querem rir mais dele e ele faz uma cara de quem vai dizer algo muito importante -- Então prestem a atenção. Vou contar uma história e vocês têm que me responder algumas perguntinhas, certo? Topam?
Todos ficaram tão curiosos para ouvir a história que até esquecem do ônibus que não passou ainda.
O interno dá um suspiro e começa. -- Imaginem que um carro zero Km vem numa velocidade superior a 140 Km/h em uma rua que começa plana, depois tem uma descida bem acentuada que termina em frente a muitas residências, onde tem uma curva para a direita e outra para a esquerda formando um “T” gigante. Imaginem que o motorista não consegue fazer a curva nessa velocidade perdendo desta forma o controle do carro e na seqüência atropela e mata no ato duas crianças que inocentemente brincavam no meio-fio; uma das vítimas tem dois anos meio e a outra apenas um ano e meio. O motorista está inconsciente; os pais dos inocentes junto com os amigos, os vizinhos e as pessoas que chegam querem dar cabo da vida do motorista a pauladas, a chutes, a porradas, com ferramentas de trabalho e com tudo que pude ser útil para esse fim. Isso acontece num sábado às 20h25min diante do palácio real. Dento do palácio o rei está sendo entrevistado pelas cinco maiores emissoras de TV do mundo por ele ter sido considerado a pessoa mais sábia e justa de todos os tempos, com base num teste feito por uma agência especializada. Essas emissoras de TV estavam há dois meses anunciando essa reportagem e a agora a transmitem ao vivo para o mundo todo. Esse programa seria um presente à todas pessoas, pois o mundo está cheio de ignorância e injustiça e a idéia era que o rei sábio e justo pudesse inspirar sua sabedoria nas pessoas. No momento em que acontece o atropelamento e a morte das criancinhas o rei fala sobre grandes sábios como: Sócrates, Spinoza e outros quando entra o guardião do palácio desesperado e interrompe a entrevista e chama o rei num lugar próximo e conta que há uma multidão organizada para linchar um motorista que matou duas criancinhas inocentes em um atropelamento.
O jornalista da NCC-TV é muito atento e ouve o guardião dizer tudo ao rei e solicita à realeza para que ele mostre, ao vivo, ao mundo todo, como resolver um problema como este: com sabedoria e justiça, para que seu exemplo possa ser seguido por todos, pois é esse o objetivo da entrevista: ensinar o povo a ser sábio e justo e resolvendo ao vivo um caso desses poderia ser mais educativo.
O rei aceita a sugestão e começa a se deslocar ao local do acidente e todos deixam as dependências real rapidamente.
Naquele momento metade da população mundial assistia à entrevista e todos tiveram a mesma idéia de avisar aos amigos e parentes sobre o ocorrido e todos os telefones começam a tocar: eram amigos avisando para amigos, parentes avisando para parentes e assim todas as pessoas foram avisadas do que está acontecendo. Agora o mundo todo está diante das TV, todos estão ansiosos para saber do desfecho desse caso.
Quando o rei chega ao local da tragédia logo vê que a criancinha de dois anos e meio está com metade do seu corpinho no capô do carro e a outra metade no interior da máquina que a matou. A pequena vítima está sem o braço esquerdo e o resto do seu corpo está todo retorcido; jorra sangue inocente de cada poro de seu cadáver infantil ainda quente.
A outra pequeníssima vítima, de apenas um ano e meio, foi arremessada contra um poste, tendo a cabeça e os braços decepados. O frágil corpinho está todo desfigurado. O sangue inocente das pequeninas vítimas "lava toda a calçada". O rei olha para o motorista e ele "dorme" como se estivesse tranqüilo em sua cama, “dorme” como se tivesse feito a coisa uma linda e agora está dormindo “o sono dos justos” e nem passa por sua cabeça que ao seu redor o povo está afoito para fazer “justiça com as próprias mãos”.

Nesse instante o rei concentra o seu olhar no motorista e é interrompido pelo choro de uma mulher; é a mãe das pequenas vítimas, ela se aproxima e brada:
-- Majestade, sou a mãe destas criancinhas assassinadas! Quando me casei não conseguia engravidar, precisei fazer muitos tratamentos para conseguir, enfim, sofri muito com enjôos, os exercícios, os partos foram difíceis e doloridos. Depois que elas nasceram tivemos muitos problemas financeiros; mas amor, carinho, cuidado e dedicação isso nunca faltou não! E agora, vem este assassino e tira os meus filhinhos amados e queridos? Eu quero... Quero não... Eu exijo que vossa majestade o mate também! Ele matou minhas criancinhas inocentes. Mate quem provocou esta dor profunda em mim! Mate quem deixou esse vazio em mim! Mate quem matou a minha alegria de viver! Mate o culpado! Faça a justiça! Dê o exemplo para que outros assassinos pensem bem antes de tirar a vida dos outros! Majestade, o senhor tem que puni-lo por isso!
O pai das crianças também pedi ao rei para fazer justiça e “ensina” ao rei o que é justiça:
-- Majestade, deve condenar este assassino à morte! É preciso dar o exemplo! Alivie a dor que paira sobre mim, sobre minha esposa e sobre todos que estão aqui. Todos conheciam esses inocentes! Queremos que vossa majestade faça a coisa certa: a morte desse assassino, ou, no mínimo, a prisão perpétua com chicotadas o tempo todo neste louco, matador de criancinhas! Eu o peço, vamos matar o responsável por este sangue inocente derramado! Esse assassino matou estes inocentes sem a mínima necessidade! Por que eles tinham que morrer? O que eles fizeram de errado? Eles não tiveram a mínima chance de defesa! Tiveram? O que eles poderiam fazer para se defender?
Cada pessoa que se encontra ali dá ao rei uma idéia de qual seria a melhor maneira de matar o motorista que ainda está desmaiado. Muitos desejavam matá-lo com as próprias mãos, pois estão revoltados com o que estão vendo.

O interno ao chegar nessa parte da história do seu teste diz às pessoas que estão no ponto de ônibus:
-- Cada um de vocês será o rei dessa história... Querem poder? Terão todo o poder que quiserem! O que vocês disserem será a verdade e tudo o que fizerem vai servir de inspiração para as pessoas, portanto, resolvam este problema da forma mais sábia e justa possível. -- O interno suspira solenemente e continua -- Mas, se, na verdade vocês não forem realmente tão sábios e justos quanto pensam que são, irão é piorar ainda mais o mundo. Vamos ver se vocês seriam bons governantes então? Vamos ver se consertariam verdadeiramente ou o afundariam mais?
As pessoas do ponto de ônibus ao escutar cada palavra do interno se entreolham atônitas e o interno continua:
-- Agora vocês farão o papel de rei e julgarão o motorista; façam as leis que acreditem ser corretas e mostrem-me como inspirar positivamente com seus ensinamentos.
O interno olha fixamente para cada um dos seus interlocutores:
-- Vocês poderão tomar a atitude que quiserem, mas o objetivo é apresentar soluções para que nenhuma criancinha inocente morra injustamente. -- E dizendo isso o interno suspira e diz em seguida: -- Mais uma coisa... Tudo o que precisarem saber eu posso lhes dizer, tudo mesmo. Se acharem importante saber a cor do carro ou a idade de alguém, se quiserem até um exame qualquer eu lhes dou o resultado. Até mesmo se precisarem saber quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha eu lhes conto. Mas, não se esqueçam que o objetivo é que tenham atitudes que visem proteger a todas criancinhas do perigo.
Todos no ponto de ônibus ficaram reflexivos, sem nada a dizer e o interno diz ainda:
-- Vejam bem a situação... As TVs estão dando closes no rei, nos corpinhos dos menininhos mortos, nos pais deles, no motorista e na multidão. O motorista nesse instante acorda e dá uma olhada na “situação” e o povo começa a gritar: “Morte ao assassino! Morte ao assassino!”.

O interno com muita paciência explica:
-- O motorista, muito assustado, olha em sua volta, vê os corpos das crianças despedaçados, vê a metade ensangüentada do cadáver de um menininho ao seu lado, vê as câmaras de TV que filmavam por ali... Vê tudo e se apavora quando vê a multidão com tantas armas e ferramentas em mãos dizendo frases de morte ao assassino! Ele fica muito assustado, pois percebe que o tal assassino era ele mesmo e fica tão apavorado que não consegue ter reação alguma e olha para o rei nos fundos dos seus olhos e não consegue dizer nada com palavras nesse instante e fala apenas com o olhar: “Por favor, ajude-me?”.

E o interno diz ainda: -- Olhem nos olhos do motorista e contem-me o que fariam; suas respostas mostrarão se seriam bons governantes. Lembrem-se que todas as pessoas se inspirarão em suas atitudes antes de resolverem os problemas sociais e pessoais: todos terão o rei como referência! -- E o interno continua: -- Digam-me também o que vocês acreditam que irá acontecer com o mundo todo quando todas as pessoas fizerem o que vocês propõem. Quando todos agirem como vocês agirem, como nascerão bons frutos disso? Expliquem-me. Quero que tenham atitudes realmente sábias e justas, impedindo as crianças de morrerem de maneira semelhante a essa que acabei de narrar!

A vendedora de cachorros-quentes olha para as pessoas que estão ao seu lado e responde em seguida, sem vacilar, convicta de sua sabedoria e justiça:
-- Mandaria matá-lo imediatamente! Assim, todos tomariam cuidados quando fossem dirigir! Agindo assim, como eu agiria, tenho a certeza de que nenhuma criança inocente iria morrer por causa desses irresponsáveis que não olham por onde andam. Como vocês podem ver, as pessoas pensariam muito bem antes de entrar no carro e correr. Acredito que agindo assim teríamos um bom exemplo e todos o seguiriam!

Agora é a vez do rapaz magricela que, com uma demonstração no rosto de reprovação à resposta da vendedora, articula igualmente convicto de si mesmo:
-- Não concordo, se ele morrer não vai sofrer nada, morrer seria um prêmio para ele, a por seu pelo crime seria prendê-lo e mandar dar uma boa surra todos os dias pela manhã e, às tardes, pegaríamos uma navalha e cortaríamos um pedacinho do corpo dele para que pagasse por beber e dirigir dessa maneira, porque, com certeza, está alcoolizado. Agindo assim, duvido que algum dia alguém assassine outras criancinhas! Sabe, estou revoltado só de pensar nisso! Alguém já deveria ter tomado essa atitude há muito tempo, pois se assim fosse feito o mundo estaria mais seguro! Acredito que qualquer punição para esse criminoso é muito pouco!

A dona-de-casa faz uma expressão que não concorda muito com o rapaz magricela e com a voz bem alta fala quase gritando:
-- Acredito que o certo seria que ele pagasse uma indenização para a família das crianças... É claro que isso não iria trazer as crianças de volta, mas poderia pagar um novo tratamento para que seus pais pudessem tentar uma nova gravidez e ter outros filhos e trazer a alegria de volta ao lar deles, pois estão sofrendo muito por causa de um assassino sanguinário. Eu não acho justo esse motorista interromper o sonho alheio. Acredito que esse dinheiro iria diminuir a dor deles... É claro que isso iria ser um exemplo a ser seguido por todos... E o mundo seria um lugar mais seguro! – Quando ela termina de falar isso faz um gesto como esperando aplausos pelo seu discurso.

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O homem gordo tão empolgado para dar o seu parecer até se esquece que está morrendo de fome. Agora ele está com fome e sede de “justiça” e olha para o interno que coloca a cabeça para dentro do buraco e seu interlocutor articula o seu pensamento:
-- Eu faria diferente, ou seja, o certo de verdade, seria mandar esse homem assassino prestar serviço eternamente à sociedade... Ele teria que trabalhar duro para pagar pelo seu crime, pela perda e dor que causou a essa família e à sociedade... Talvez, agindo assim, sua consciência o torturasse e nunca mais ele mataria alguém! Todas as pessoas iriam seguir esse exemplo e crianças não morreriam dessa maneira nunca mais! Eu não acho justo mandar esse assassino para a cadeia onde este comeria à custa das pessoas que pagam impostos altíssimos! Ele tem é que pagar pelo seu crime com trabalho... Muito trabalho mesmo! Acredito que agir assim seria o melhor exemplo que poderíamos dar ao mundo todo! – Ele parece do mesmo modo querer ser aplaudido quando termina de falar.

Ouvindo as respostas o interno diz para a revolta geral:
-- Então vocês se acham sábios e justos mesmo? Que fariam bem à sociedade e que seriam exemplos de justiça; melhorando muito mesmo o mundo? E ainda sonham em ser copiados? Porém, vocês, sem exceção, todos foram, de acordo com os resultados dos testes, pessoas muito injustas e muito pouco sábias... Com vocês no poder suas atitudes piorariam muito o mundo e não salvariam ninguém... As crianças continuariam a morrer em seus governos e nos governos de seus seguidores. Todos vocês entrariam para a historia como déspotas.
A vendedora de cachorros-quentes olha revoltada para as pessoas que estão no ponto de ônibus e pergunta ao interno, com um tom de ironia, acreditando que não obteria uma resposta melhor do que sua da parte do garoto que está atrás do muro do Hospício Municipal:
-- Então se coloque no lugar do rei, vossa majestade, e mostre o que um rei verdadeiramente sábio e justo faria nesse caso... Pode nos dizer?
Ela diz isso e começa a rir sem parar e todas as pessoas a acompanham na sua alegria; mas o interno responde-a assim:
-- O rei verdadeiramente sábio dessa história faz o seguinte: quando ele olha para o motorista e vê que ele está tonto e confuso pergunta-lhe:
-- Meu amigo, você está bem? Sabe o que está acontecendo aqui? Sabe que essas crianças foram mortas pelo carro dirigido por você; carro esse que veio em alta velocidade? O que tem a dizer em sua defesa?
Mas quando o rei pergunta isso ao motorista algumas pessoas ao seu lado questionam:
-- Vossa majestade, ele vai ficar bem mesmo quando estiver morto! Ele vai ficar “bem,” igualzinho as crianças que ele as matou! Queremos matá-lo!
O rei olha para as pessoas que disseram isso e diz:
-- Quietos, deixem-me, pois sei o que estou fazendo...
Nesse momento o motorista olha para o rei e começa a chorar muito e mesmo em soluços consegue dizer:
-- Sim, vossa majestade, estou bem... Sim, e sei o que aconteceu...
Nesse instante o povo começa a praguejar ao motorista, mas o rei vendo que ele está inconsolável e com muito medo de ser linchado pergunta:
-- Poderia me dizer por que estava correndo tanto com essa coisa? Se sente capaz de me explicar ou não? Tem condição de fazer isso, ou não?
O povo em coro responde a pergunta que o rei faz ao motorista:
-- Porque é louco! Porque quer morrer! Assassino! Assassino! Quem mata crianças não merece viver!
O motorista se desespera e derrama muitas lágrimas, já se sente morto pela multidão enfurecida e o povo diz que são lágrimas de crocodilo.
O rei faz um sinal para a multidão ficar quieta e diz ao motorista que está suando frio:
-- Fique calmo, meu amigo! Só me responda o motivo pelo qual estava correndo tanto e ninguém vai fazer nada, só se eu os autorizar... E não pretendo fazer isso...
O motorista recupera o fôlego:
-- Sabe, majestade, eu tinha quatro anos de idade e morava no interior desse reino, e tudo começou quando vim para a cidade grande e vi uma coisa que me fascinou muito... Era uma coisa que eu nunca tinha visto antes e quando a vi me apaixonei por ela ao fim do mesmo instante...
O rei, muito calmo, como sempre:
-- E o quê seria essa coisa?
O motorista ainda procurando conseguir mais fôlego responde com um estranho brilho nos olhos:
-- Era um carro... Um carro lindo, quase igual a esse, majestade...
O rei querendo entender direito o que acabou de ouvir:
-- Apaixonou-se por um carro, é isso?
O motorista quase não conseguindo conter as lágrimas e enxugando o nariz responde:
-- Sim, majestade, um carro...
O rei suplica-lhe:
– Por favor, faça-me entender isso...
-- Não sei como explicar como isso aconteceu. – responde o motorista – Mas, quando eu vi aquele carro novinho fiquei desejando um carro igual... Queria um carro para mim... Queria um carro vermelho, igualzinho àquele que eu vi... Um carro novinho cheirando a um bebê...
O rei perplexo querendo entender essa história sem sentido:
-- E o que tem a ver isso tudo com o motivo pelo qual estava correndo tanto, tirando a vida de duas crianças?
E ele responde com aquele brilho em seu olhar:
-- Vossa majestade... É que quando fiquei fascinado por aquele carro, eu fiz da minha vida uma luta intensa para adquirir um para mim... Tinha que ser um carro novinho cheirando a um bebê... Não sei lhe explicar, mas só o carro poderia me fazer feliz... Não poderia mais viver sem um carro igual aquele... Eu já sabia disso mesmo tendo apenas quatro anos de idade.
O rei suplica mais uma vez:
-- Pode ser mais sucinto? Diga-me o que aconteceu depois disso? Que relação tem sua infância com o que acabou de fazer a essas crianças?
-- Sim, majestade... Depois que coloquei isso na minha “cabecinha de menino sonhador” comecei a juntar moedinha por moedinha para comprar esse carro, porque era um carro muito caro e ele não é fabricado nesse reino... Tinha que ser um desses.  Meus pais aprovaram o meu sonho e no mesmo dia na mesma hora, trouxeram-me muitos cofrinhos de todos os tipos: porquinhos, cavalinhos, boizinhos etc. Então, a partir daquele momento, juntei todas as moedinhas que passaram em minhas mãos nos cofrinhos para comprar o meu carro novinho... Nunca gastei uma moedinha, acredita? Nunca comprei uma balinha...
-- Interessante, -- diz o rei – prossiga:
-- Nos meus aniversários sempre pedia dinheiro de presente aos meus amiguinhos e parentes para comprar o carro... Mesmo depois que me casei, mesmo tendo que viver em casa de aluguel, mesmo depois que meu querido filho nasceu continuei economizando tudo que podia e até o que não podia para realizar o meu sonho...
Ouvindo isso o rei coloca a mão no queixo e faz um gesto com a mão para que o motorista continue o seu relato:
-- Majestade, eu trabalhava fazendo horas extras todos os dias até as 22h30min... Trabalhava aos sábados, domingos, feriados e inclusive nas minhas férias. Para realizar o meu desejo, trabalhei muito duro por 30 anos...
-- Hum! – o rei fica pensativo e anda de um lado para o outro.
-- Sabe, majestade, eu tenho 37 anos; consegui o dinheiro todo há três dias apenas e comprei esse carro... Confesso a todos que nunca passei por essa rua antes, só hoje, pois é o aniversário de meu filho... Um filho que praticamente nem conheço por estar sempre ausente, por estar sempre trabalhando. Na verdade, não conheço direito nem a minha própria mulher... Então, eu estava passando por essa rua por causa da minha cunhada que mora na rua de cima, ela trabalha perto do meu trabalho e me pediu uma carona. Eu a peguei no seu emprego e a levei à sua casa; ela queria pegar uma lembrancinha que havia comprado para meu filho... Ela disse que iria entrar e sair rapidinho, que demoraria dois “minutinhos”...
Nesse instante o rei faz um gesto com a mão e o motorista pensa que ele vai dizer algo, mas ele permanece calado ouvindo-o:
-- Então, majestade, fiquei dentro do meu carro, motor acelerado e o coração disparado pela emoção. Fiquei feito um bobo, babando pelo meu carro... Minha cunhada começou a demorar muito, mas nem me importei, pois contemplava o meu sonho que acabara de virar uma realidade. Nada poderia me roubar a felicidade que estava sentindo naquele momento... Eu ficava ligando e desligando os botões... Todos! Testava tudinho... Cada botãozinho. Comecei a pensar no tanto que havia trabalhado para conseguir realizar o meu sonho... Fiquei imaginando: finalmente havia conseguido comprá-lo e ter realizado o meu sonho tão desejado... O único problema é que eu queria o meu carro vermelho e só tinha esse carro amarelo disponível na loja... E também não pude fazer o seguro do meu carro, não deu tempo de fazer...
-- Que pena! -- diz o rei, fazendo um sinal ao motorista para ele continuar:
-- Majestade, durante o tempo em que estive esperando a minha cunhada fiquei imaginando poder passear com o meu filho, imaginei-me conhecendo o meu lindo filho, poder brincar com ele, poder ir pescar com ele... Imaginava tudo isso... Imaginei minha mulher, meu filho e meus amigos fazendo um passeio em um lago, todos dentro do meu belo carro... Nesse momento pensei: “hoje é o primeiro dia do resto da minha vida”... Quando eu estava pensando nisso tudo senti um cano frio no meu ouvido e ouvi uma voz que dizia: -- “Fique quietinho aí... Se você se mexer eu te mato... Assalto!”.
Ao ouvir isso o rei fica atento:
-- Nessa hora, majestade, fiquei com muito medo que esse menino que aparentava ter uns 16 anos me levasse esse carro... Pensei: meu carro não tem o seguro... Eu não poderia viver sem esse carro... Trabalhei muito tempo por ele, não era justo ficar sem ele... Se esse ladrãozinho me levar o carro eu teria que trabalhar mais 30 anos para comprar outro... Minha mulher talvez não me quisesse mais se ela tivesse que me esperar por mais todo esse tempo. Prometi a ela que quando eu comprasse o carro ficaria o tempo todo com eles! Meu filho iria estar com 32 anos quando eu comprasse outro... Majestade, por favor, acredite! Ainda, quando imaginava tudo isso em apenas um segundo, veio uma coisa pior em meus pensamentos: “E se esse ladrãozinho me der um tiro agora?”, “Pôxa, eu nem conheço o meu filho, nem desfrutei minha vida... Meu filho vai ficar sem o meu amor de pai? E minha amada mulher, como ela vai ficar? E minha mãe, meu pai, meus parentes e amigos?” Majestade, pensei tantas coisas em frações de segundos!
O motorista se cala por um segundo e olha para o rei e continua:
-- Majestade, quando imaginei que nunca mais iria ver o meu filho e minha família eu... Eu fiquei com muito medo de morrer... Sempre ouço falar que assaltantes matam suas vítimas em casos assim. Quando pensei nisso tudo, em questão de segundos me desesperei... Acredite, majestade! Eu imaginei o rosto do meu filho lá nas nuvens, ele dizia: “Vem me ver, Papai?... Não quero que você morra, Papai... Foge, Papai!” – Nesse momento o motorista olha nos olhos do rei e diz -- Nesses segundos eu fiquei com muito medo de morrer e ficar sem tudo que tenho! Aquela arma que estava na mão daquele ladrãozinho iria me privar de continuar a minha vida! Minha história! Aquela arma iria me privar de ver o meu filho! Majestade, eu não queria ficar sem o meu carro que tinha cheirinho de bebê... Não queria morrer... Não queria que tudo acabasse assim! Majestade, naquele instante imaginei ouvir a voz do meu filho... Acho que isso estimulou os meus instintos e eu só queria ficar longe daquele revólver! Então, sem que eu percebesse comecei a acelerar... Acelerar e acelerar cada vez mais e mais! Eu não queria morrer... Queria sim ver o meu filho... Queria ficar cada vez mais longe daquela arma que poderia me afastar do meu filho e de tudo que planejei para minha vida!
O motorista enche os pulmões de ar e diz:
-- Majestade, planejei tantas coisas na minha vida! Eu acelerava a cada vez mais o meu carro e ia de encontro à imagem do meu filho lindo que minha mente, minha saudade, meu amor por ele e o meu medo projetou nas nuvens... Meu filhinho lindo que faz aniversário de dois anos hoje... Majestade, naquele momento não me lembrava de estar dentro de um carro, não lembrava que havia ruas no mundo, que ruas têm curvas, que há crianças inocentes brincando nas curvas das ruas. Majestade, acredite... Eu não conseguia pensar em nada, a não ser em salvar a minha vida. Ficar com o meu sonho lindo que havia lutado tanto para ter... Naquele momento eu estava entregue ao medo... Só ao medo e à vontade de ver o meu filho e viver o meu sonho há muito planejado e idealizado...
O motorista toma mais fôlego e diz com lágrimas nos olhos:
-- E quando acordei vi essas crianças mortas, vi vossa majestade me olhando e todas essas pessoas querendo me matar! Chamando-me de assassino...
Nesse instante o rei começa a andar de um lado para o outro sem parar. As câmeras de TV o seguem. E ao fim de um pequeno instante ele pergunta ao motorista que está com uma cara de medo ainda maior que no começo:
-- Você estava com medo de morrer e de perder o seu carro por isso tirou a vida de duas crianças inocentes?
O motorista olha para o rei e em nova choradeira diz:
-- Sim, majestade, eu nem sabia o que estava fazendo!
Nesse instante o povo começa a gritar em coro.
-- Morte ao assassino das crianças! Morte ao assassino das crianças! Morte ao assassino de crianças! Como ele iria se sentir se alguém matasse o filho dele?
Outros populares dizem também:
-- Ele matou as crianças, nem pensou nelas! Agora é a vez dele também!
O rei pensativo diz:
-- Sim, ele matou as crianças... Mas não as matou porque quis. Como vou condenar alguém por ter medo? Ter medo não é crime, é?  -- Houve um silêncio momentâneo e o rei coloca a mão no ombro do motorista e diz:
-- Meu bom homem, como poderemos acreditar no que você nos contou? Há  um modo de evidenciar o que disse? Pode nos convencer disso? Se puder, pode começar, seremos todos seus ouvintes atentos... Mas, cuidado para não cair em contradição! Porque se você inflamar esse povo nem eu poderei detê-lo... Por isso, aconselho a dizer a verdade, somente a verdade... Senão tudo o que disser poderá ser usado contra você! Poderá morrer pelo o que você disser, mas também poderá se explicar e ser inocentado...
O povo não gosta muito do que o rei diz e o motorista que está extremamente assustado com a reação dos populares diz ao rei:
-- Majestade, eu vim com a minha cunhada...
Quando o motorista diz isso se ouve um grito no alto da ladeira.
-- Cunhado! O que está acontecendo? Eu demorei... Resolvi tomar um banho e trocar de roupas... O que aconteceu?
O rei percebe que a mulher trazia em suas mãos um embrulho num papel presente e percebe que essa parte da história do motorista era verdadeira e pergunta a ela:
-- Você estava com esse homem há pouco e ele te deixou em sua casa e estava lhe esperando?
-- Sim, majestade, é o aniversário do filho dele, o meu sobrinho lindo, ele faz dois aninhos hoje... Há uma festa nos esperando nesse momento.
O rei faz um resumo do que aconteceu e do que motorista lhe falou. E ao fim de um instante pede para que a cunhada do motorista lhe confirme ou não a sua explicação e ela confirma dizendo:
-- Sim, majestade, tudo que ele falou é verdade... Ele queria mesmo esse carro. O meu cunhado também tinha síndrome de pânico quando criança... Veja no rosto dele... É cheio de cicatrizes porque ele tinha medo do “bicho papão”... Quando sonhava que esse bicho iria pegá-lo saia correndo no escuro de seu quarto batendo a cabeça e o rosto em tudo que estava à sua frente, por isso fez vários ferimentos na face... Mas, quando ele fez 11 anos parou de acreditar nisso e nunca mais sonhou com esse bicho... Nunca mais teve medo de perder a sua vida... Acho que só hoje ele realmente teve outro grande medo em sua vida... Talvez isso explique a sua disparada com esse carro, atropelando e matando esses inocentes... Pobres crianças e infeliz do meu cunhando!
A cunhada do motorista diz isso e derrama uma lágrima pelas crianças mortas e pelo seu cunhado e quando tudo isso foi dito do motorista, se aproxima um homem que segurava uma sacola de compras e com indignação diz ao rei:
-- Desculpe-me, majestade, mas acho que da distância de onde estava o carro até aqui dava muito bem para esse homem se lembrar que estava em um carro, lembrar também que havia ruas e que poderia ter alguém nas ruas e, é claro, parar o carro e evitar as mortes dessas crianças inocentes!
Nisso o povo levanta suas armas: paus, pedras e ferramentas para matar o motorista dizendo:
-- É, esse homem está certo! Totalmente certo!
O rei pergunta ao homem da sacola de compras:
-- Meu bom homem, você é profissional da área da mente humana? É psicólogo, psiquiatra, filósofo ou o quê? Qual é o seu campo de atuação?
O homem da sacola de compras o responde morrendo de vergonha:
-- Não, majestade, eu sou um simples pedreiro, não tenho nem leitura. Não sei ler nem escrever, mas acho que esse homem está mentindo e deve ser punido! Ele deve ser condenado a morte, com certeza!
Com o semblante apresentando muito incômodo o rei olha primeiro para o pedreiro depois para o povo e diz:
-- Esse homem aqui não sabe o que diz, não tem competência para opinar... Acha que devemos matar uma pessoa só porque acredita ter, não se sabe baseado em quê, uma culpa sem fundamento. É um tolo que com uma boa intenção queria ajudar... Coitado dele, este não passa de um pobre infeliz palpiteiro... Por acaso, aqui tem alguém que realmente acredita que uma pessoa é capaz de pegar um carro e sair por aí a fim de matar criancinhas que estão brincando pelo simples gosto de matar?
Quando o rei diz e isso uma mulher de laços no cabelo se aproxima e diz com uma voz muito doce e suave:
-- Mas, majestade, o senhor não acha que esse motorista deveria, ao invés de ficar trabalhando tanto para conseguir esse carro muito caro, comprar um carro usado? E por que não um carro popular igual o meu? Agindo assim ele viveria ao lado de sua família, veria seu filho crescer, assim como eu vejo o meu... Acho que essa atitude dele causou as mortes das crianças. Acho que ele foi muito mesquinho. Se o senhor quer saber a minha opinião, desculpe-me, pela minha intromissão... Mas acho que ninguém precisa de tanto luxo para ser feliz! Se ele fosse mais humilde, isso, com certeza, não teria acontecido a essas criancinhas! Acho que ele merece um castigo sim, serviria muito, como exemplo, para as pessoas. Temos que ser humildes, não precisamos de tantos luxos para sermos felizes...
Ao ouvir isso o rei retruca com a mulher de laços no cabelo:
-- Minha linda e doce senhora, queria lhe dizer que concordo sim com você no que me disse a respeito de que ele poderia sim comprar um carro mais barato e tudo... Agora, castigá-lo por ele ser mesquinho e querer luxo, isso eu não posso fazer... Isso não me parece um crime... Eu poderia aconselhá-lo...
A mulher de laços no cabelo se revolta com o rei e diz:
-- Mas, Majestade...
-- Mulher... Querer uma coisa cara e trabalhar a vida toda para obtê-la não é um crime... Acho que ele não deveria ser assim... Mas ele não fez nada contra a lei... Eu, pessoalmente, não gostei do que esse homem fez com a família dele: a abandonou praticamente... Deveria ficar mais presente com a família que ele formou, mas ele tinha um plano para reparar tudo de mau que a ausência dele propiciou. Apesar de não concordar com essa atitude, não posso puní-lo por isso... Acredito que ele não tem culpa de não ser sábio o bastante para perceber isso... Não consigo ver o crime de não ser sábio, se isso fosse crime teríamos que construir uma prisão que coubesse quase todos os habitantes desse reino ou quem sabe se não seria necessário uma que coubesse o mundo todo!
E tendo o rei dito isso aparece uma mulher que se diz amiga da mãe das crianças mortas e diz aos prantos:
-- Majestade... Majestade... Por favor, se coloque no lugar da mãe dessas crianças! Coloque-se no lugar do pai delas e faça o que é justo! Tente entender a dor deles! Veja como eles estão sofrendo!
E quando escuta o pedido da amiga da mãe das crianças o rei prontamente lhe responde:
-- Mulher, para sermos justos e sábios não podemos nos pôr no lugar de ninguém: nem da mãe das crianças, nem no lugar dos parentes e amigos do motorista... Pois seria impossível se assim fosse feito agir imparcialmente e fazermos justiça... Temos que analisar fria e neutramente os fatos e encontrar onde está o erro e fazer por onde não aconteça mais...
Tendo o rei dito isso a mãe das crianças se aproxima desesperadamente:
-- Mas, majestade, meus filhos morreram e eu continuo sofrendo a dor da ausência deles! Quem vai pagar por isso? De quem é a culpa disso então? Eu só sei que meus filhos morreram e eles eram inocentes, não tiveram como se defender! Eu acredito, majestade, que a culpa não era deles e sim desse motorista! Porque se ele tivesse comprado um carro mais barato isso não teria acontecido! Talvez ele tivesse ido por outro lugar se tivesse com outro carro... Sei lá! Porém, se vossa majestade acha que ele não tem culpa quero que o senhor descubra o culpado, já que o senhor cisma em achar que ele é inocente e bonzinho... Onde está o culpado então? Descubra-o e puna-o severamente pois acho que deve haver um culpado, ou o senhor não entende assim? Ou o senhor entende que meus filhos são culpados pelas próprias mortes?
Quando ela disse isso acredita que com essas palavras colocaria o rei contra a parede e ele puniria o motorista e ela teria a “justiça feita” e sai de perto do rei com um sorriso dos vitoriosos nos lábios.

O rei, ao fim de um longo minuto, começa a andar de um lado para o outro por alguns instantes.Todos olham para ele e logo ele pergunta à mulher que acaba de perder os seus filhos:
-- Você tem toda a razão, seus filhos são inocentes, temos que encontrar o culpado e dar exemplos. Porém, primeiro diga-me, mulher... Onde você estava na hora do acidente? Diga-me o que você estava fazendo quando seus filhos foram atropelados e mortos por esse carro?
A mãe das crianças fica branca de medo ao receber do rei essa pergunta inesperada, assusta-se e balbuciando responde:
-- Majestade, eu estava fazendo comida para meus meninos, ao mesmo tempo, estudando um livro de exercícios de língua estrangeira... Faço esse estudo visando me qualificar, pois quero arrumar um bom emprego, pretendia educar bem os meus filhos. Agora não adianta mais nada, eles estão mortos... E a culpa é toda desse motorista! – Ela aponta o dedo para o nariz do motorista, diz isso começa a se lamentar muito e a multidão pergunta ao monarca se ele não está vendo as lágrimas da mãe das crianças e sugerem que ele pare de penitenciar a mãe das vítimas com perguntas tolas, encontre logo o culpado e puna-o.
E o rei dá ordens para o guarda que está ao seu lado:
-- Sabe onde essa mulher mora? – o guarda diz que sim -- Então vá ver se tem comida no fogão dela e veja também se encontra algum livro de exercício de língua estrangeira.
A multidão fica incrédula com a atitude do rei.
Quando o guarda volta comunica ao rei que não tinha comida alguma no fogão da casa daquela mulher e muito menos livro de língua estrangeira.
O rei já estava desconfiado que a mãe das crianças não os tratava corretamente, convenceu-se disso logo que viu a situação deles. Então, o rei pergunta à multidão:
-- Alguém aqui presente sabe onde esta mulher estava na hora do acidente?
Ninguém se manifesta e o rei diz:
-- Eu digo que se alguém souber onde essa mulher estava e não me contar darei um castigo... Vou fazer isso em praça pública... Todos vão saber quem é omisso.
E tendo dito isso uma mulher tremendo de medo conta ao rei:
-- Majestade, sou a comadre dela... Posso lhe garantir que ela estava no meu portão... Ela estava me contando que a vizinha dela chegou ontem de madrugada num táxi, que ela entrou e saiu rapidinho; a comadre acha que a vizinha está traindo o marido porque ele trabalha à noite.
O rei pergunta onde está a tal vizinha. Passa-se um período curto e quando ela é encontrada o rei a interroga:
-- Você realmente chegou de madrugada ontem? Pode nos dizer o que estava fazendo?
A vizinha da mãe das crianças, em prantos, toda vestida de preto, começa responder:
-- Majestade... Sabe... Minha mãe morava no interior e ela veio ver a mim e a minha irmã que mora em outra parte do reino... Quando ela chegou fomos de imediato para ver a minha irmã a fim de conversarmos todas juntas... Só que, quando estavamos conversando, depois de muito tempo, mamãe começou a passar mal e desmaiou... Quando a levamos para o hospital o médico perguntou se ela não estava tomando algum medicamento... Mamãe esqueceu a sua bolsa em minha casa... Eu nem pensei que tinha algum remédio dentro da bolsa dela... Foi o médico que perguntou se ela tinha alguma doença e se estava tomando medicamento. Foi quando voltei de táxi, de madrugada... Fui pegar a bolsa dela... Descobrimos que mamãe tinha uma doença muito grave e crônica e nunca havia nos dito porque ela não queria nos preocupar... Mamãe sempre foi assim, nunca queria nos preocupar... Mas, foi tarde demais, mamãe faleceu, majestade, não deu tempo...

Página 2

Depois que a vizinha da mãe das crianças disse isso, sai.
O rei comunica à mãe das crianças:
-- Acho que a gente já tem um culpado pela morte dos seus filhos.
A mãe das crianças pergunta com espanto:
-- Quem, majestade, a minha vizinha?
O rei olha para a mãe das crianças e responde-lhe friamente:
-- Você...
As pessoas se enfurecem com o rei e a mãe das crianças pergunta-lhe nesse instante:
-- Eu?... O que eu fiz?
O rei muito decepcionado responde:
-- Você matou seus filhos...
-- Eu? E como eu fiz isso? Eu nem estava perto deles... – pergunta incredulamente.
-- Por isso mesmo, você nunca estava perto deles...
-- Eu sempre estava com eles, eles são meus filhos, eu os amava...
-- Você mentiu para mim... Você não estava fazendo comida nem estudando língua estrangeira... Você não cuidava dos seus filhos direito! Você os maltratava e muito, não tinha cuidado com eles...
Ouvindo isso a mãe das crianças fica muda e o rei diz para ela:
-- Você poderia muito bem ter evitado a morte de seus filhos... Se tivesse cuidado dos seus filhos direito isso não teria acontecido... Seus filhos eram muito pequenos e inocentes, eles não tinham como se defender do perigo, eles não sabiam de nada... Você os deixou em frente a uma ladeira muito perigosa onde um carro que poderia perder os freios e matar as crianças que estavam aqui sem perceber o perigo.
-- Mas eu não sabia, eu sou advinha?
-- Aqui onde as crianças estavam é um lugar muito perigoso, poderia um carro em fuga da polícia, ou um carro desgovernado, ou uma pessoa que tem algum tipo de problema e dorme ao volante... Ainda se outra criança ou uma pessoa sem juízo jogasse uma coisa que rolasse ladeira abaixo e atingisse seus filhos... Em frente a uma ladeira e com curva não é lugar de crianças brincar; mas elas não conseguem entender isso; são os pais que devem orientá-los a esse respeito. Você deveria cuidar da vida deles e não da vida das pessoas que sabem o que estão fazendo como é o caso da sua vizinha... Você os matou... Sua negligencia os condenou a morte.
A mãe das crianças diz ao rei nesse momento:
-- Mas, majestade, que culpa tenho se as pessoas fazem coisas erradas? Se as pessoas dirigem seus carros de maneira errada, tenho culpa? Não tenho culpa por essas coisas acontecerem, tenho? Tenho culpa que existam ladeiras e curvas? Não tenho culpa se as pessoas não se preocupam com a vida dos outros! Acho que as crianças têm que ser livres...
O rei calmamente responde:
-- Culpa das pessoas dirigirem de maneira errada não; mas você teriam que cuidar dos seus filhos corretamente. Já estava na hora deles estarem em casa, terem tomado banho e alimentados. Se tivesse feito o que deveria, não os teria perdido. Suas crianças não tinham condições de saber onde é o lugar seguro para brincar! Eles não sabiam que horas tinham que tomar banho! Você que os colocou no mundo teria que orientar e zelar por eles.
A mãe das crianças entra em prantos novamente. Nesse instante o rei diz ao povo que está em silêncio e só o observa atentamente:
-- Vamos descobrir mais responsáveis por essas mortes... Onde está o pai das crianças?
O pai das crianças se aproxima:
-- Majestade, estou aqui...
O rei dá uma olhada de reprovação para o pai das crianças e pergunta-lhe, olhando-o nos olhos:
-- Pode me dizer onde você estava na hora em que seus filhos estavam sendo negligenciados pela mãe deles?
O pai das crianças responde-lhe com a voz trêmula:
-- Majestade, estava fazendo horas extras no meu trabalho, pois queria dar o melhor para os meus filhos...
O pai das crianças diz isso e derrama uma lágrima; e o povo se comove com essa cena. O rei desconfiado de tantos “cuidados” da parte dos responsáveis pelas crianças mortas diz:
-- Eu quero saber se alguém sabe onde esse homem estava e o que estava fazendo na hora do acidente envolvendo seus filhos. Quero agora, se eu souber que alguém sabe onde ele estava e omitiu essa informação vou dar o castigo! Vou fazer isso em praça pública... Todos vão saber quem é omisso.
Quando o rei diz isso se apresenta um homem que usava uns óculos de aros azuis:
-- Majestade! Majestade! Esse homem é meu amigo, nós temos uma rinha para fazer brigas de galo e isso acontece todos os dias. Ele estava lá comigo e muitas pessoas que estão aqui presentes também se encontravam conosco.
O rei ao ouvir isso fica indignado e diz ao pai das crianças mortas vítimas do atropelamento:
-- Você também é um dos responsáveis pela morte dessas crianças inocentes, você ajudou na morte de seus próprios filhos...Você preferiu deixar seus filhos abandonados à própria sorte para pôr animais para se agredirem influenciados por seus instintos selvagens e por pessoas mais selvagens ainda... Vocês...
Por pouco o rei não dá um tapa na cara do pai das crianças; ele faz muito esforço para se conter. E, nesse instante, veio à sua presença uma mulher de cabelos longos com um laço vermelho amarrando em seu lindo cabelo e pergunta ao monarca:
-- Majestade, então me deixe entender uma coisa, por favor? O senhor está dizendo que esse motorista é inocente e que os pais dessas crianças são os culpados? Eu acho que isso não é justo. O senhor parece que fez as vítimas serem os culpados e o culpado ser inocente... É isso mesmo que eu entendi?
O rei olha nos olhos da mulher de cabelos longos e responde-lhe:
-- Mulher, eu digo que os pais são responsáveis por isso que aconteceu com as crianças... Mas, na verdade, digo que eles não são os únicos culpados por isso, digo que todas as pessoas aqui presentes têm um pouco de culpa também...
E tendo ouvido isso o povo coloca a mão na boca tapando-a em sinal de reprovação e indignação à realeza e o rei faz uma pausa e ao fim de um instante pergunta ao público que não tira os olhos dele:
-- Quero saber quem são as pessoas aqui presentes que viram essas crianças nesse lugar perigoso antes do acidente?
Quando o rei pergunta isso todas as pessoas respondem que tinham visto as crianças e que não era a primeira vez que elas as viram ali até tarde da noite.
O rei ouvindo esse fato diz com certa fúria olhando para todos:
-- Então todos vocês têm uma parcela de responsabilidade nas mortes desses inocentes...
Quando o rei diz isso o povo fica muito bravo e muitas das pessoas o respondem que não entendem o motivo pelo qual ele está culpando-as se não haviam feito nada.
-- Por isso mesmo que vocês têm culpa... Todos viram essas crianças aqui sendo mal cuidadas e abandonas pelos pais negligentes e não fizeram nada para ajudá-las. Pois deveriam ter chegado nos pais desses inocentes e tê-los alertado de que as crianças precisavam ser mais bem cuidadas e amadas verdadeiramente. Mesmo os que viram essas crianças e não sabiam quem seriam os pais delas, deveriam perguntar às próprias crianças quem seriam os seus pais. Oras se agissem assim poderiam ter evitado essas mortes; porém, não fizeram nada, se omitiram, se furtaram ao direito de fazerem uma boa ação e salvar duas criancinhas inocentes. A omissão de vocês os tornam responsáveis pelas mortes dessas crianças, ou seja, todos vocês são assassinos também! Sim essas atitudes de omissão os tornaram co-autores dessas mortes!
Quando o rei diz isso um homem loiro se aproxima dele e pergunta-lhe:
-- Vossa majestade, diga-me uma coisa... Por que eu deveria me preocupar com as crianças alheias? Acho que essa obrigação deveria partir dos pais apenas; não é minha obrigação! Eu não tenho a obrigação de ser babá de quem eu nem conheço... Não acho que sou um assassino como acaba de nos sentenciar... Não me considero co-autor de nada!
O rei ouve atentamente o que o homem loiro diz e responde-lhe:
-- Meu caro cidadão, gostei muito da sua pergunta, mas antes de lhe responder vou lhe fazer outra pergunta; você ficou muito triste com a morte dessas criancinhas?
O homem loiro responde-lhe:
-- Sim, majestade, fiquei muito triste e revoltado e digo-lhe o seguinte: se o senhor tivesse demorado mais um segundo para chegar aqui eu mesmo teria matado esse motorista assassino com as minhas próprias mãos! Essas crianças tinham uma vida inteira pela frente e tudo isso foi interrompido porque esse cretino e seu carro novinho cheirando a... Acredito que ele deveria ser linchado mesmo! Acho que isso seria o certo... Se o senhor quer saber a minha opinião é isso que eu penso...
O rei responde-lhe que não quer saber a opinião dele e olha para o motorista que está abraçado com a sua cunhada e volta o seu olhar ao homem loiro e lhe faz outra pergunta:
-- Amigo, acredita mesmo que matar esse motorista seria a melhor coisa a ser feita? Porque esse proceder também não é responsabilidade sua, fazer justiça com as próprias mãos... Há pouco me disse que ficou muito triste com a morte desses inocentes... Que, por sua vez, poderia ter sido evitada se alguém simplesmente pegasse-as no colo e as tivesse levado para a casa delas ou as ensinasse a brincar em um lugar seguro... Ou alguém tivesse chamado a atenção de seus pais para que elas fossem mais bem cuidadas. Se você tivesse feito essa boa ação para esses inocentes, eles estariam agora em casa, brincando ou se alimentando, crescendo para ter um futuro. Eles poderiam viver em paz até morrer de velhice ou de alguma doença, se fosse o caso... Mas você se omitiu, furtou-se do dever e da oportunidade de fazer esse bem a elas... Teve a oportunidade de fazer algo de bom e não o fez... Você, meu justiceiro infeliz, acreditando que conhece o que é a justiça quer se vingar de alguém que não fez uma maldade propositadamente, foi uma fatalidade...
O homem loiro não quer dar razão ao rei, balança a cabeça negativamente e o rei diz:
-- Vocês todos são realmente estranhos... Na ocasião em que foi necessário que se intervissem não o fizeram; ficaram quietos iguais lesmas, ficaram passivos... Agora, quando é para ficarem calmos querem fazer algo totalmente inadequado e agem iguais aos leões. Mas não lhes cabe fazer a justiça... Todos acham que podem decidir quem deve morrer ou viver, querem ter esse papel. Querem fazer coisas que não podem, nem devem. Fico imaginando todos vocês passando por aqui e vendo esses menininhos sendo mal cuidados e se negando a ajudá-los... No entanto, agora choram e lamentam suas mortes e não se sentem culpados por isso; querem achar um culpado para matá-lo e depois irem dormir tranquilos com as consciências limpas acreditando que farão um bem muito grande para essas crianças vítimas da omissão de todos! Saibam que vocês ajudaram a matar essas crianças! – O rei suspira e diz – Esse motorista com o seu sonho, seu medo e sua ignorância! Sim, concordo que esse motorista é pobre de sabedoria sim... Sei também que se ele não quisesse tanto esse carro com cheirinho de bebê... Não teria atropelado essas crianças, que têm cheirinho de bebê de verdade... Sei também que esse carro pode ser consertado e que essas crianças não vão mais poder ser consertadas... Mas será que vocês não entendem que ninguém compra um carro novo com o único propósito de sair por aí matando crianças? Se vocês matassem esse motorista seriam assassinos novamente, pois já mataram essas crianças por omissão! – outro suspiro do rei – por que todos vocês não fizeram nada quando era possível? Por que querem tanto fazer injustiça agora? – Nesse momento o rei ri e diz – Agora vocês reuniram-se com pedras, paus, ferramentas de trabalho e armas de fogo e agem com uma força muito grande quando é para fazer o errado... Unem-se, reúnem-se, dão idéias uns para os outros a fim de fazer a coisa mais errada possível e não têm vergonha de fazer as coisas quando são injustas!
O rei faz uma cara de desolação e diz: -- Eu fico imaginando vocês fazendo “justiça” em nome das crianças, matando alguém em nome delas sem que elas pedissem... É como se elas fossem mandantes disso. Acho que elas pediram para viver e vocês as impediram disso, vocês todos as privaram do caminho natural: a vida. Parecem nem perceber que tudo que acontece no mundo inteiro é causado por nós mesmos. É tudo culpa de todas as pessoas... Somos vítimas, somos cúmplices, somos testemunhas, somos autores e co-autores de todos os fatos que acontecem com todas a pessoas. Tudo, sem exceção, é causado porque nós fazemos ao deixamos de fazer alguma coisa que resultou no produto final das nossas atitudes certas ou erradas... Então todos nós devemos morrer por esse crime desses inocentes!
Uma jovem negra linda usando um vestido curto florido pergunta ao rei:
-- Majestade, todos, sem exceção? Acha mesmo que todos temos culpa nessas mortes e em todos os eventos do mundo?
-- Sim... Veja bem como são as coisas: esse carro, cheirando a um bebê que estamos vendo aqui... Ele é capaz de correr a 320 Km/h... Mas, mesmo em uma auto-estrada é proibido correr a mais de 120 Km/h, não é estranho que carros sejam capazes de correr mais do que o limite permitido por lei? Não é estranho que sejam fabricados carros velozes desse jeito? É estranho que as fábricas os fabriquem; mas também não deixa de ser estranho às pessoas não reclamarem que essas máquinas matem pessoas... É estranho que as pessoas assistam a essas coisas passivamente, que não façam nada para impedir isso! Por que as pessoas têm tanta pressa de ir para os lugares? Acredito que a pressa das pessoas não justifica as mortes que essas máquinas causam quando dirigidas por imprudentes, bêbedos, inconseqüentes, pessoas que têm doenças que podem causar acidentes etc... Acho que as pessoas deveriam sim se reunir para fazer com que essas máquinas nem existam mais. Ou, pelo menos, fazê-las correr no máximo a 50 Km/h... Acho que a essa velocidade seria melhor!

Quando o rei diz isso aparece o garoto que estava querendo assaltar o motorista. Ele veio com alguns amigos. Ele veio se desculpar porque, na verdade, a arma que ele usava era de brinquedo e o assalto era apenas uma espécie de batismo para ele poder entrar em uma gang de rua. Ele diz que se sente muito mal com o que aconteceu. Diz que não sabia que iria acontecer tanta coisa por causa de uma brincadeira. O rapaz começa a chorar muito e revela ao rei que o motivo que o levou a aceitar ser um membro dessa gang era o fato de precisar de carinho e atenção e os seus pais não o davam, pois seus pais não queriam ter um menino e sim uma menina; por esse motivo, o desprezava. O garoto diz ainda que nessa gang havia vários garotos que não eram amados pelos pais. Alguns pelo fato dos pais não terem tempo de dar o carinho; outros, porque os pais queriam filhos mais lindos e conta várias desculpas que os pais davam para não amar os filhos.
O rei entende que o garoto era apenas mais um dos culpados por esse acidente ter acontecido e diz:
-- Esse garoto também é uma vítima do que ele mesmo ajudou, sem querer, a causar... Vítima de sua brincadeira sem a menor graça que só causou tantas desgraças. Porém a consciência desse garoto vai torturá-lo para sempre. Também toda a sociedade tinha uma parcela de culpa pelo que esse garoto fez. Os pais do rapaz têm uma parte de culpa por não saber educar o filho e não amá-lo.
O rei diz ainda que os amigos do garoto também tinham uma parcela de culpa por não aconselhar esse rapaz a fazer as coisas certas. Que as pessoas que sabem que existem armas de brinquedos e não fazem nada para que elas não existam mais também têm culpa. As pessoas que sabem que existem armas de verdade e também não fazem nada para que elas deixem de existir também têm culpa.Todos são culpados por essas crianças e muitas outras que morreram ou foram feridas.

E o rei continua a falar:
-- Eu, a partir de hoje, vou criar uma lei que só vai poder ter filhos quem puder e souber educá-los corretamente. Para ter filhos agora os interessados terão que fazer uma avaliação como em um vestibular provando que são capazes de cuidar, educar e amar suas crianças. Não quero que mais nenhuma criança seja maltratada por seus pais como esses aqui que abandonaram seus filhos a própria sorte e estes morreram atropelados de um jeito tão estúpido!
O rei aponta o dedo para os corpos das crianças mortas:
-- Olhem para essas crianças mortas por causa da incompetência de seus pais! Vou fazer essa lei, pois não quero que crianças cresçam e sejam como esse motorista aqui, desorientado de valores realmente importantes... Não quero que crianças fiquem juntando moedinhas para comprar um carro tão caro; quero que os pais sejam capazes de orientar seus filhos, ensinando-lhes valores melhores que esse... Quero pais que quando souberem que seus filhos se apaixonaram por algo tão caro os ajudem a entender que essas coisas não trazem felicidade alguma, só trazem desgraças como a que acabamos de ver. Quero que as crianças não sejam como esse infeliz rapaz com essa arma de brinquedo, que, para se sentir importante no meio de uma sociedade, seja capaz de fazer uma coisa como essa e ter problemas com a consciência para o resto da vida...
O rei leva a mão ao queixo e diz:
-- Mas para esse vestibular que estou planejando vai ter cursos para preparar as pessoas e todos receberão os ensinamentos sobre como se deve criar um filho, como alimentá-lo, como protegê-lo etc... Mas só terão permissão de ter filhos quando vocês forem capazes de criá-los sem prejudicá-los... Os postulantes terão que estar cientes de que poderão nascer meninos ou meninas e que nem todos os filhos são tão lindos como eles gostariam que fossem; os interessados terão que provar que os amariam mesmo assim! Não quero que crianças sejam discriminadas pelos próprios pais!
Nisso o tal repórter atento pergunta ao rei:
-- Não acha essa lei muito severa, majestade?
-- Não acho não, pois quando vocês conseguirem passar na avaliação terão permissão de ter filhos! Eu acredito que ter leis tão duras assim é o certo quando é para salvar as crianças e... E não quero ver crianças morrendo de maneira tão abominável, não quero ver crianças sendo responsáveis por mortes de outras crianças, não quero ver outras crianças agirem iguais a esse pobre e infeliz motorista! Quero realmente que todas as pessoas tenham consciência para fazer o que é certo, justo e verdadeiro; sem serem forçadas por lei a agirem assim... Quero, no futuro, que todos percebam a necessidade de aprender as coisas para sermos realmente felizes em um mundo justo para todas as pessoas...
O repórter atento fez menção de perguntar algo, mas desistiu e o rei continua:
-- As crianças do futuro, a partir dessa nova lei, quando tiverem essa experiência que o nosso amigo motorista aqui teve de se apaixonar por um carro tão caro irão receber ensinamentos como esse de seus pais preparados para educá-las: “Meu filho, esse carro é uma grande besteira, ninguém precisa de um carro tão caro para ser feliz; só os tolos pensam assim”, “pega essas moedas e compre tudo em balas e divida com seus amigos ou guarde um pouco de moeda para comprar mais balas amanhã se forem muitas moedas”. E os pais vão ensinar valores como: o amor, a amizade e o carinho como forma de serem felizes, como forma de vida. Os pais sábios do futuro, nesses casos, ensinarão aos filhos que eles tem que brincar e não juntar dinheiro para comprar carros e as novas crianças, quando forem adultas, ensinarão isso aos seus filhos também e seus filhos aos filhos deles e assim para sempre.
Ao dizer tudo isso o rei finalmente consegue ser visto com alegria pelo povo que agora o vê como o homem mais sábio e justo que já existiu.

Tendo acontecido isso todos dão uma pausa para refletirem e a cunhada do motorista se aproxima do rei e dá-lhe um abraço, começa a chorar e diz:
-- Majestade, o senhor realmente é muito sábio, justo e tudo de maravilhoso! Poderia nos dizer onde o senhor se encontrava? Pois a gente nunca ouviu falar a seu respeito até o dia que saiu a pesquisa, há alguns meses, sobre o homem mais sábio do mundo. Sua vida é um mistério para nós. Onde adquiriu tanta sabedoria? Pode nos contar tudo sobre o senhor?
O rei faz outra pequena pausa e começa a contar sobre a sua vida:
-- Olha... Todos sabem que eu tenho 85 anos de idade, que estou reinando faz apenas cinco dias... Sabem que, quando meu pai sofreu aquele acidente e morreu, fui convocado para ser coroado rei... Todos sabem que quando eu tinha três anos de idade, minha mãe me deixou ir para um reino distante para estudar a razão da vida, o sentido da vida, encontrar a verdade com um tio eremita nas montanhas...
Todos ouviam com atenção e respeito o que o rei dizia:
-- Então, desde essa tenra idade, quando fui para o oriente, nunca mais tive notícias de meus pais... Eu estudei matemática, física, astronomia, biologia, botânica, psicologia, direito, estudei vários idiomas, estudei música, teatro, dança, artes marciais, todas as ciências e filosofias que existem... Eu diria que os filósofos, sábios, cientistas e poetas de todos os países e de todos os tempos se expressaram em várias línguas diferentes, mas neles inflamam o mesmo fogo do saber. Meus queridos súditos, se vocês soubessem a sublime felicidade que experimento ao entender todos os grandes sábios desse mundo iriam querer conhecê-los também! Eu conheço muitas coisas graças a esses gênios... Consigo entender sobre a natureza, sobre a mente humana e sobre tudo que esses sábios puderam por em livros, pois tudo que o pensamento humano inventou, conheceu e descobriu durante todos os séculos acha-se comprimido dentro do meu cérebro, graças aos livros...
O povo o observa com admiração e ele diz:
-- Sou mais inteligente que todos os autores de todos os livros, pois tive a oportunidade de conhecer e estudar tudo o que eles pensavam! E tudo começou, quando, minha mãe, a rainha, queria que eu fosse o homem mais sábio do mundo, ela queria que um dia eu fosse capaz de governar com sabedoria e justiça... Um dia ela me mandou uma única carta explicando que me deixou ir com o meu tio por causa de um sonho que ela teve onde, se eu fosse estudar com meu tio, um dia, o mundo todo iria me ouvir como o rei mais sábio e justo de todos os tempos.
-- Longa vida ao rei! – brada um súdito – Longa vida ao rei! – responde o povo em coro feliz por ter um réu tão sábio e justo.
-- Se vocês estudarem todas as filosofias de todos os tempos de todos os homens como eu fiz, poderiam ser tão sábio quando eu sou! -- Longa vida ao rei! – brada um outro súdito – Longa vida ao rei! – responde o povo em coro novamente.
-- Agora vou falar sobre como cheguei até aqui: faz um ano que um grupo de pesquisadores e cientistas foi às montanhas... Eles estavam lá para testar a inteligência do meu tio e me testaram do mesmo modo e descobriram que eu era o mais sábio entre os homens e publicaram os resultados dos meus testes em várias revistas e jornais do mundo todo... E é por esse motivo que essas emissoras de TV estão aqui me entrevistando... Essa entrevista era para acontecer nas montanhas; mas, como tive que me mudar para cá e reinar, todos esses repórteres estão aqui.
-- Vida longa ao rei! – diz mais uma vez um dos súditos – Vida longa ao rei! – mais uma vez o coro se faz presente.
-- Mas, continuando a falar sobre mim; gostaria de dizer que eu não queria ser rei... Quero voltar logo para os meus estudos, pois quero ser iluminado, quero encontrar a verdade... Estou aqui porque não tem outro membro da família real que possa reinar e fui convocado para ocupar esse cargo provisoriamente até ser possível coroar outro rei e ele assumir essa responsabilidade de governar...
Nisso o rei aponta o dedo mais uma vez:
-- Vocês estão vendo aquele homem ali na frente com aquela máquina estranha? Ele está filmando a minha espiritualidade, está medindo o tamanho da minha aura! Ele trabalha para uma agencia espacial...
O rei faz outra pausa e diz -- Querem medir o tamanho da luz que fica ao meu redor quando eu estou filosofando e quando estou pensando... Eles me disseram que é uma pesquisa muito importante... Porém, nada disso para mim tem valor, estou muito velho e preciso, antes de morrer, descobrir a verdade e publicar um livro que possa ajudar as pessoas a serem livres também... Não posso perder tempo governando esse país... Eu precisaria ser eterno para ter tempo para encontrar o que preciso, e através dos meus estudos nunca fiquei sabendo que pessoas pudessem viver eternamente, só os livros são eternos, tudo aqui é perecível, tudo morre e logo morrerei também... Tenho pressa, tenho sede de saber, preciso voltar à minha busca! Eu me sinto vazio, apesar de todo o meu saber, sinto-me um nada, sou vazio... Quero descobrir o que justifica a vida.
Ao findar suas palavras o rei senta numa cadeira que trouxeram para ele e o motorista fica bem perto do homem mais sábio do mundo e pergunta-lhe em seguida:
-- Majestade, posso ir então? Posso estar com o meu filho? Eu queria te dizer que vou doar o meu carro para alguma instituição para que eles vendam e cuidem dos pobres com o dinheiro arrecadado... Quero apenas o que realmente vale a pena na minha vida: minha família e o meu amor por eles...
O rei responde-lhe com uma expressão de orgulho pelo que o motorista lhe diz:
-- Sim, meu bom homem, pode ir. Espero que realmente tenha aprendido uma lição... Espero que tudo que aprendeu aqui seja de grande valia para você e sua família... Espero que você ajude o seu filho a perceber as coisas que têm um valor realmente verdadeiro... Espero também que você, sempre que possível, diga a todas as pessoas que encontrar pelo caminho o seu erro e ajude-as a entenderem a importância do que é verdadeiro na vida... Vá em paz, olho para você e não vejo crime algum desde que o vi... Vejo apenas uma pessoa que não teve oportunidade alguma de saber as coisas que realmente têm importância... A culpa é mais dos seus pais do que qualquer outra pessoa... Porém, acredito que seus pais também não tiveram oportunidade de saber das coisas realmente verdadeiras e não puderam instruí-lo. Agora com essa nova lei dos cursos e vestibulares para ter uma autorização para se ter um filho, esse ciclo de má educação vai ser quebrado, teremos novas gerações de bons pais. Vá em paz, meu amigo... Vá às universidades, aos presídios, às escolas, aos hospitais, às praças públicas etc e ensine a todos o que aprendeu com os seus erros; ajude as pessoas a não cometerem o mesmo erro que você... Volte aqui um dia, antes da minha partida para as montanhas... Traga o seu filho, pois eu gostaria de conhecê-lo... Não vejo maldade alguma em você... Vá em paz...

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Quando o rei termina de dizer tudo isso o motorista dá-lhe um forte abraço e diz muito emocionado:
-- Majestade! Nunca vou me esquecer do que fez por mim, em todos os dias de minha vida vou lembrar do senhor e vou me espelhar na sua sabedoria... – O motorista dá outro abraço de gratidão no homem que lhe salvou a vida e em pranto diz:
-- Que Jesus Cristo o ilumine, hoje, amanhã e sempre! Espero que o senhor seja cada vez mais sábio e justo com a graça de Deus todo poderoso!
Ao ouvir o motorista citar Cristo o rei faz uma cara de espanto e pergunta ao seu interlocutor que ainda está à sua frente se preparando para ir embora e ver o seu filho:
-- Você falou Cristo? Jesus Cristo? Você conhece a lenda Cristo, Jesus Cristo? O filho de um deus? Aquele que morreu para tirar o pecado do mundo? Você conhece essa lenda? O meu jardineiro do palácio me contou sobre ele. Contou-me ontem enquanto cuidávamos do jardim real... Eu gosto de rosas... Achei uma bonita lenda... Mas, como uma lenda poderia me tornar mais sábio e justo?
Dessa vez é o motorista que se assusta com a pergunta do monarca e diz em seguida:
-- O senhor deve estar se equivocando... Porque Cristo não é uma lenda como o Senhor acaba de dizer, ele é verdadeiro... Ele só é uma lenda para os tolos... Por que se referiu a ele como uma lenda? Não acredita nele como Senhor do Mundo, o Salvador? -- pergunta o motorista ao rei que está parado à sua frente e parecia estar confuso, mas logo ele responde:
-- Achei que Cristo fosse uma lenda muito nova ou pouco conhecida... Não a conhecia, ouvi falar dele ontem à tarde quando estava no meu jardim, podando as rosas que eu trouxe das montanhas... Ouvi o jardineiro falar sobre ele, em duas horas apenas demorou a narrativa sobre ele... Achei que tudo que ele havia me dito era uma lenda, achei a história fantástica demais... Não conhecia nada sobre ele... Então você acredita que realmente existe um deus, e que Cristo é o filho dele e que ele efetivamente veio ao mundo para libertar e salvar as pessoas do pecado? E tudo que ele disse é a verdade, a verdade verdadeira? “Sou o caminho, a verdade e a justiça”, é isso mesmo que ele disse, correto?
-- Não, ele disse “sou o caminho, a verdade e a vida”; e eu não tenho a menor dúvida a esse respeito: sou batizado e crismado na Igreja Católica Apostólica Romana, sei que só Jesus é o Senhor dos Senhores, sei que só ele pode salvar o mundo, nenhum outro pode salvar ninguém! Só ele é digno de ser seguido!
E ouvindo isso com muita atenção o rei diz ao motorista:
-- Se tudo isso que ouvi ontem é verdade, se realmente acredita em Cristo eu lhe digo que és um miserável!
O motorista que até esse momento nutria uma admiração muito grande pelo rei acha agora que ele não era tão sábio como antes, pois ele não crê em Cristo e pergunta-lhe com desdém:
-- Sou miserável por ser cristão, por quê? Não entendi mesmo...
-- Agora não o vejo como inocente em relação à morte das crianças, na verdade, acredito que você é um ser desprezível!
O motorista olha para o rei perplexamente, pois esse rei acaba de lhe salvar a vida e disse-lhe há pouco que ele era inocente... Mas depois que lhe disse ser cristão, chamou-lhe de desprezível... Será que ele odiava a Cristo e por influência despreza seus seguidores? -- Pensou o motorista, o homem mais confuso do mundo nesse instante. Nisso o motorista ainda pergunta ao rei:
-- Você odeia a Cristo?
-- Não, claro que não... Eu o amo verdadeiramente, desde ontem, assim que o conheci mesmo acreditando ser uma lenda.
-- Por que insinuou que sou um miserável quando disse ser um cristão? Não entendo...
-- Você não está entendendo direito as coisas mesmo, percebi logo... – Diz o rei decepcionado e ainda pensativo, continua -- Meu tolo amigo, há uma grande diferença entre as atitudes que você teve e as atitudes de um verdadeiro cristão. O modo de agir é diferente se conhecemos ou não a Cristo... Pelas suas atitudes agiu como se não o conhecesse, ou pior ainda, agiu como se tudo que ele ensinou não valesse a pena, pois você ignorou tudo que ele ensinou... Não o vejo mais como um inocente. Como você o conhece então é culpado. A sua atitude foi bem pior que a de Pedro que o negou por três vezes... Com suas atitudes, o negou várias vezes. Desprezou-o verdadeiramente... Fez a missão dele ser inútil... Tudo o que ele fez, tudo o que ele ensinou, tudo o que ele pediu, tudo foi inútil para você...
O rei diz isso ao motorista que quando ouve suas palavras entra em pânico, pois sabia que o rei era muito sábio e talvez ele estivesse falando coisa séria e pensa que realmente poderia ser um ser desprezível.
Nesse momento o rei olha fixamente nos seus olhos e diz:
-- Se você, meu amigo infeliz, conhece a Cristo e o reconhece como um mestre não deveria ter tido essas atitudes tão “desespiritualizadas”... Você disse há pouco “Só ele é digno de ser seguido!”, mas não o seguiu! Sua atitude não foi cristã... Uma pessoa cristã não daria tanto valor a um carro tão caro como você deu a esse carro cheirando a bebê; agiu muito errado quando o seu carro estava parado e esperava a sua cunhada e percebeu o revólver e pensou em tudo aquilo que me disse... Uma pessoa que conhece as palavras de Cristo jamais temeria a morte já que ele afirmou que a morte não existe; ele disse que todos dormem apenas, todos serão acordados no dia do Juizo Final.
-- O senhor não entende, majestade, tive muito medo de ficar sem o meu filho... Tive medo de nunca mais poder vê-lo novamente! -- diz o motorista assustado e chorando.
-- Se seguisse os ensinamentos de Cristo, de quem você disse “Só ele é digno de ser seguido!“, acreditaria que mesmo morrendo veria o seu filho, pois Cristo falou sobre o Reino do Céu e que um dia todos aqueles que o seguissem lá viveriam eternamente com ele... Se você seguisse o que Cristo ensinou nunca teria essas atitudes que acabou de ter. Um cristão não se apega às coisas desse mundo; ele, em primeiro lugar, busca as coisas do alto, pois entende que Cristo tem razão quando disse para seus seguidores buscarem as coisas que têm realmente relevância e que as outras coisas seriam acrescentadas... Meu amigo, você se apegou demais a um sonho que não tinha nada a ver com as coisas do alto, com as coisas de Cristo... Você viveu para as coisas materiais e não ouviu os ensinamentos do seu mestre. Cristo disse certa vez: “por que me chamas de mestre se não fazes o que ensino?” Eu, meu amigo, digo-lhe que quando você estava dentro do seu carro, que cheirava a um bebê, e aquele garoto o assustou deveria estar preparado para tudo... Deveria saber que os assaltantes matam suas vítimas porque eles têm medo de morrer, medo de serem surpreendidos por suas vítimas. Se você tivesse se acalmado e se lembrasse de Cristo, teria mostrado ao “assaltante” que você não iria fazer mal algum a ele; teria ficado com suas mãos para o alto à mostra, para que ele não achasse que você teria a intenção de tentar matá-lo; deveria sair do carro sem puxar o freio de mão, para que o “seu inimigo” não achasse que você iria pegar algo para surpreendê-lo; deveria tê-lo acalmado, pois um cristão tem as mesmas virtudes de Cristo, seu mestre. Acredito que se você mostrasse muita calma naquela hora, sairia tudo bem! Mas um cristão nem teria um carro desses... Sinceramente não vejo refletido em você a imagem de Jesus. Seu mestre é outro; com certeza não é Jesus...
Quando o rei diz isso o motorista tenta contra-argumentar:
-- Eu não queria morrer agora, queria curtir a vida, depois de tanto trabalho. Entenda isso.
-- É você que não consegue me entender, meu amigo... Para um cristão, morrer é lucro; para um cristão, que está livre da ignorância, pouco importa quando morrer, o que importa realmente é morrer em Cristo... Morrer é dormir para um cristão! Você deveria se preocupar em ir para esse “sono” praticando o que o Cristo ensinou... Isso sim... E “curtir” a vida eterna!
Ao dizer isso se aproxima do rei uma mulher com uma criança no colo e olhando-o com desdém e com ironia diz:
-- O senhor se acha tão sabidão assim como pode desprezar Cristo? O senhor também não se lembrou dele, lembrou-se dele só agora porque o motorista o citou... Não achou que ele era o filho de Deus, por que então? Para mim você o negou também! Assuma o seu erro!
-- Mulher, muita coisa que você disse é verdade... Realmente não citei Cristo logo no começo, porém, quando estava dando a minha palestra sobre sabedoria há pouco lá dentro do palácio, iria sim comentar aos repórteres sobre Cristo, mesmo achando que era uma lenda. Pensei que ninguém a conhecia e pretendia ensiná-la a todas pessoas. Eu não falei nada, pois na hora pensei numa idéia muito boa de revelar ao mundo sobre Cristo, mas como ia falar? Falar que, mesmo sendo uma lenda, seus ensinamentos são dignos de ser seguidos? Quem iria me dar ouvidos? Então pretendia instituir essa lenda como uma inspiração divina a ser ensinada nas escolas para as crianças. A idéia era dizer ao povo que esse deus havia entrado em contato comigo. Eu ia mentir para fazer o bem ao mundo, por esse motivo não citei Cristo na palestra. Mas amanhã mesmo eu iria convocar todos os sábios do reino para me ajudar a inventar um modo de fazer o povo conhecer essa novidade como uma inspiração divina. Esse era o plano... Entendia que Jesus poderia salvar o mundo com seus ensinamentos mesmo sendo um mito...
E tendo o rei dito isso, a mulher com a criança no colo, com uma certa ira diz ao rei:
-- Jesus e nem Deus precisam de suas mentiras e o senhor não o citou no começo... Acredito que o senhor não ia citá-lo, muito menos fazer essa lei de ensinar nas escolas para as crianças... Não ia, eu sei o porquê... Porque mesmo o senhor se achando muito sábio, não pode ver que ele realmente é o Filho de Deus e existe de verdade... Você o entregaria aos romanos!
-- Mulher, digo a você que não achei mesmo que ele era o filho de Deus e sim uma fábula, pois quando vi esse mundo, esse reino que estou a governar, não vi, em momento algum, pessoas que tivessem atitudes que lembrassem os ensinamentos dele... Quando pediram que eu julgasse esse caso para ser um exemplo a ser seguido pensei comigo mesmo: “se aquela lenda pudesse exercer alguma influência sobre esse povo essas pessoas seriam a melhor civilização do mundo”... Porém, em momento algum enxerguei vestígios de Cristo no coração de vocês... A atitude de cada um me levou a crer que, realmente, Cristo só poderia ser uma lenda desconhecida... Pois, em momento algum alguém disse algo parecido com o que um cristão diria...
-- O que diria um Cristão então? – Pergunta a mulher com o filho no colo e ainda com raiva do rei.
-- Citarei exemplos do que pessoas que conhecem a Cristo diriam na hora que o motorista acordou: “não podemos julgar esse homem, só Deus pode julgá-lo, pois só ele sabe o que se passa no coração desse homem”; ou “devemos perdoar esse homem, pois na mesma medida que o julgamos também seremos julgados”; e outras diriam ainda: “não cabe a um cristão julgar ninguém, cabe ao cristão saber o porquê do seu irmão ter feito algo de errado e ajudá-lo a não errar mais”; ainda outras pessoas diriam: “é claro que ninguém compra carros novos ou velhos para matar criancinhas, algo deve ter acontecido, vamos ver o que aconteceu e ajudar a sociedade de maneira tal que essas coisas não aconteçam novamente”; aí outro mais consciente da verdade cristã diria: “se acontecem essas coisas ainda é porque, nós, que somos cristãos não estamos fazendo as coisas certas, acho que estamos omissos, devemos ajudar as pessoas a entender a Cristo, ele nos confiou essa missão e o mundo não melhorou nada, e a culpa é toda de quem tem a verdade e não dá frutos para Cristo, deveríamos nos envergonharmos, pois temos culpa de muitas das coisas erradas do mundo; essas crianças aí, por exemplo, nós poderíamos tê-las ajudado e não o fizemos, nos furtamos dessa oportunidade, falhamos”. E outros se lembrando de outra passagem dos ensinamentos: “agora entendo o que o mestre quis dizer sobre os que se omitem irem para o inferno”.
E a mulher ouve isso tudo se envergonha, vira-se de costas e vai para casa, abre os evangelhos e começa a ler.
Nisso chega finalmente as autoridades responsáveis pela remoção dos corpos das crianças, levam os corpos e o povo não sai de perto do rei.
Nesse momento o mesmo repórter atento que sugeriu ao rei que julgasse o caso se aproxima dele e confessa-lhe:
-- Majestade, confesso que em momento algum pensei em Cristo, sinto-me muito mal, pois se dependesse de mim teria matado o motorista... Quando vi essas crianças, desse jeito, lembrei-me dos meus filhos que têm mais ao menos as idades desses que aqui morreram... Naquele momento, coloquei-me no lugar dos seus pais.
E escutando essas palavras do repórter o rei o interrompe:
-- Há pouco eu havia dito que não devemos nos pôrmos no lugar de ninguém, porém, agora, digo que esqueçam o que eu disse...
-- Não entendi... Há pouco o que o senhor disse era a mais sábia de todas as filosofias de todos os homens, digna de ser seguida! -- Diz o repórter atento e o rei responde:
-- Eu disse aquilo porque eu era um tolo... Seguia a muitas filosofias dos homens tolos, mas, agora, não sou mais um tolo... Agora eu digo que sempre que acontecer alguma coisa nós devemos na verdade nos pôr no lugar de Cristo e pensar qual seria a atitude dele; devemos em todas as situações de nossas vidas, fazermos as coisas em comunhão com seus ensinamentos... Eu digo isso porque nós, enquanto seres humanos somos todos falhos, somos influenciados pela emoção, pela falta de conhecimentos; e Jesus é o único que realmente é sábio e justo... Então a melhor maneira de se proceder é à maneira que Cristo ensinou... E, segundo o que o jardineiro do palácio real me ensinou Cristo veio à Terra por vários motivos e um deles é ser um exemplo de conduta; o Deus se fez em carne na pele do seu filho para nos ensinar a viver como ele acredita ser justo. Essa vinda do filho de Deus à Terra é um presente de Deus às pessoas. Não se inspirar em Cristo que veio como um presente de Deus, é não querer ser filho Dele... Negar Cristo é negar um presente de Deus, é negar um convite para sermos seus filhos... Pois o filho sempre quer agir como age o pai. Então o filho é como o Pai; age como Ele... Então devemos em todas as ocasiões de nossas vidas nos fazermos uma pergunta: “se Jesus estivesse aqui em meu lugar, o que ele faria?”, com a resposta dessa pergunta as pessoas, os filhos de Deus, fariam as coisas do modo que fazem os filhos de Deus. Mas as pessoas poderiam fazer a pergunta de outra maneira: “se Jesus estivesse aqui do meu lado e eu lhe contasse sobre o que eu vou fazer, o que ele me aconselharia a fazer?”, então com essa resposta é só fazer as coisas de modo que o filho de Deus faria e você será filho de Deus também. Mas é muito importante conhecer os ensinamentos de Cristo para poder se fazer essas perguntas.
E tendo dito tudo isso o rei se espanta com o que acaba de perceber e diz:
-- Prestem a atenção, todos vocês... Quero dizer-lhes algo muito importante!
Quando o rei diz isso todas as pessoas se preparam para escutar suas palavras e ele declara finalmente:
-- Comunico a todos que não vou mais voltar às montanhas, não vou voltar a estudar o que disseram os grandes poetas, cientistas e filósofos ao longo dos tempos... Não vou mais procurar a verdade naquelas montanhas...
-- Vossa majestade irá nos governar? Viva! Viva! Longa vida ao rei... -- diz o repórter atento e o povo felicita “Viva! Viva! Longa vida ao rei...”
E o rei explica:
-- Eu não vou voltar às montanhas, porém, não vou governar também... Não quero governar nada, tenho coisas muito mais importantes a fazer...
-- Vai procurar a verdade em outro lugar ou em outros livros? O senhor comprará uma nova biblioteca particular, majestade? – Insistiu o repórter atento.
E o rei o responde:
-- Eu desprezo os livros, desprezo todas as coisas e a sabedoria deste mundo. Tudo aqui é frívolo, passageiro, ilusório e enganoso como uma miragem. Os sábios desse mundo são orgulhosos, porém a morte há de apagá-los... A imortalidade dos gênios desaparecerá com toda a terra. Eles são insensatos e seguem o caminho errado. Tomam a mentira pela verdade e o falho pela perfeição. Não trocarei o céu pela terra. Não quero compreendê-los; não quero a glória desse mundo; quero a glória do céu... Fiquei durante muito tempo procurando a verdade e agora a encontrei, na verdade a verdade me encontrou: a verdade é Cristo! Para evidenciar o meu completo desprezo por tudo aquilo que constitui a razão da vida terrena, recuso-me a governar. Não quero nada que possa ser diferente do que o Cristo me aconselharia a fazer! Eu renuncio ao meu reino terrestre; devotarei a minha vida ao reino do céu... Jamais trocarei um reino eterno por uma ilusão... Agora sim, me considero realmente sábio, pois a minha vida será baseada em Cristo. A sabedoria Dele será a minha vontade atuante sempre e sempre até o fim dos meus dias aqui nesse mundo. E a partir desse instante sairei na minha missão de evangelizar as pessoas que não conhecem a verdade.
E após um instante o rei diz ainda -- E acho importante ceder agora o poder ao senador mais velho até haver uma eleição democrática. -- E tendo dito isso o rei se aproxima do jardineiro do palácio e pede-lhe curvando-se diante dele: -- Você falou sobre o batismo... Tem algo que o impeça de que eu seja batizado por você, meu bom amigo?
O jardineiro prontamente o responde assim:
-- Sim, eu posso sim, vossa majestade... Vamos ao lago do jardim do palácio real. -- E, tendo dito isso, foram o rei, o jardineiro, os repórteres, os cientistas e todos que puderam entrar no imenso jardim real. Ao término do batismo o jardineiro diz ao rei:
-- Vossa majestade já está batizado... – E o rei nesse instante responde ao jardineiro:
-- Eu não sou rei, só Cristo é rei; só ele pode nos governar.
O ex-rei diz isso, dá um abraço no jardineiro e lhe agradece por ter ensinado-lhe a verdade e salvo a sua vida e diz ainda que ele havia perdido muito tempo tentando aprender a verdade através de filosofias inventadas por homens tolos.
Nisso o jardineiro fixa o olhar nos olhos do ex-rei e diz:
-- Não diga isso... Todos os gênios desse mundo, de certa maneira, ajudaram-no a tornar-se sábio o bastante para que o senhor pudesse reconhecer Cristo como a verdade. E, em verdade, digo-lhe que se o senhor não tivesse ido às montanhas e estudado os gênios desse mundo nunca entenderia a Cristo... O senhor seria igual a essas pessoas; talvez fosse até um péssimo rei... Portanto, meu querido irmão agradeça a eles... Pois mesmo que eu o ensinasse sobre Cristo, o senhor jamais poderia entendê-lo e aceitá-lo sem ter exercitado o seu cérebro; o senhor seria igual a esse povo ignorante... Esse povo que nem se lembra do nosso mestre... O senhor o chamaria de mestre, mas apenas com os lábios, não seguiria seus ensinamentos com o coração.
-- Sim, meu irmão, entendi tudo isso que você me disse e, aproveitando o próprio conselho que eu mesmo dei ao motorista, vou às universidades, aos presídios, às escolas, aos hospitais, às praças públicas etc e ensinarei a todos o que eu puder; que, através de Cristo, ou seja, através dos ensinamentos dele, poderemos todos nos salvar da ignorância desse mundo e começar a viver em Cristo, nos prepararemos para um dia encontrá-lo e poder chamá-lo de Mestre, sem a preocupação de ouvir dele essa resposta: “por que você me chama de mestre se não faz aquilo que eu ensinei? ”.
E ao findar todas essas palavras o rei sai. Vai pregar a verdade que tanto procurou, e agora muito feliz por finalmente tê-la encontrado.
Ele sai pensando consigo próprio: “estudei com muitos mestres em livros e pessoalmente por oito dezenas de anos e foi numa conversa de duas horas com um simples jardineiro que eu encontrei a verdade”...
E andando sozinho pensa novamente: “todas essas emissoras de TV estavam procurando alguém sábio para dar ao povo do mundo todo uma sabedoria... Mas que tolos são eles... Não sabiam que Deus já havia dado ao mundo alguém para ser seguido: Jesus!”.
Dá mais alguns passos e pensa mais: “Há dois mil anos, Deus olhou para a Terra e não viu nenhum justo e mandou seu filho para ser um presente ao povo, para ser exemplo de conduta a ser seguido e isso representava a nova aliança de Deus com o povo; do Pai com todas as pessoas que quisessem ser seus filhos... Mas, todas essas emissoras de TV do mundo todo viram que o mundo não tinha um justo; e resolveram procurar um sábio em quem o povo pudesse se espelhar... Queriam dar ao povo esse presente; queriam me dar ao povo de todo o mundo... Acreditavam que eu era sábio... Como puderam esquecer de Jesus e seu convite para sermos seus irmãos? Como puderam esquecer que ele é o único digno de ser seguido? Que tolos são os homens!”.

Dois meses após tudo isso acontecer àquela citada agência espacial que estava no dia da entrevista com uma máquina especial para filmar a aura do rei fez um relatório sobre suas descobertas, mas antes de divulgar o resultado disseram que aconteceram coisas muito estranhas com o aparelho de medir as luzes que saiam do pesquisado. O aparelho estava muito perto do ex-rei quando ele chegou próximo ao local onde estavam as crianças atropeladas. Tentaram tirar fotografias que revelariam o tamanho da aura quando ele estivesse filosofando, porém essas fotos sempre queimavam.
Parecia que havia muita luz em volta do rei, porém os cientista responsáveis pelos estudos não enxergavam luz alguma. Essa máquina era programada para não deixar qualquer coisa desse mundo intervir.
Depois os pesquisadores resolveram ficar bem longe para ver se conseguiriam terminar o trabalho e quando eles finalmente conseguiram ver a aura do entrevistado descobriram que ela não era tão grande como eles imaginavam e isso gerou uma dúvida, o que fazia com que as fotos queimassem se não era a intensidade da aura do rei? De onde vinha a luz que queimava as fotos? Só depois os pesquisadores descobriram que essa luz vinha do jardineiro; descobriram que a aura dele era mais de um milhão vezes maior que a do rei!
Os cientistas desses estudos, todos, mesmo sendo ateus, não tiveram dúvidas em afirmar que só um ser com a alma do tamanho de Deus, se ele existisse, poderia ter uma espiritualidade assim. E alguns dos cientistas que trabalhavam nas pesquisas se converteram ao cristianismo no mesmo instante.
Os cientistas vendo a sequência em que as fotos foram tiradas afirmaram que no momento em que o rei descobre que Cristo não era uma lenda e sim o maior presente que Deus deu ao seres humanos para ser um exemplo de conduta a ser seguido, a sua aura aumentou cem vezes. E quando o rei renunciou o seu reinado aumentou mais cem vezes a luminosidade de sua aura.
Os cientistas disseram que quando o rei foi batizado perceberam nas fotos uma luz intensa entrando nele e isso fez com que sua aura aumentasse milhares de vezes. E, quando o rei disse que sairia pelo mundo a pregar a verdade que acabou de aprender a sua aura quase que se igualava à do jardineiro; isso porque, segundo o próprio rei, a partir daquela data, não seria mais a sua cabeça que o governaria e sim Cristo. O rei disse que além de renunciar a tudo que ele tinha de bens materiais, renunciaria toda a sua própria sabedoria que aprendeu com as verdades dos tolos homens desse mundo.

E três meses depois que o rei deixou a vida de monarca todos os jornais publicaram em suas primeiras páginas que no dia em que houve o atropelamento e morte dos inocentes, o jardineiro visitou o velório das pequenas vítimas e conversou com os seus pais. Ele havia perguntado-lhes se eles queriam os filhos de volta e eles disseram que sim; mas que não poderiam tê-los mais. Disseram ao jardineiro que se eles pudessem tê-los de volta, fariam tudo bem diferente e que cuidariam direito deles. E quando eles acabaram de dizer isso o jardineiro sumiu diante de seus olhos. Eles ainda puderam ouvir um pedido do jardineiro: “daqui a noventa dias vocês poderão contar a todas as pessoas sobre mim”. E, quando a voz do jardineiro sumiu, e eles se abraçaram e ouviram vozes suaves, conhecidas, dizendo que estavam com fome. E todos choraram. As crianças, por estarem famintas; e as lágrimas dos pais eram de alegria. E eles pegaram as crianças e foram para casa alimentá-las e amá-las, dessa vez, de verdade.

E, terminando de contar esta história, o interno do Hospício Municipal coloca a cabeça novamente através do buraco do muro e pergunta para as pessoas que estão do lado de fora no ponto de ônibus:
-- Ei!... Ei!... Psiu! Você se acha sábio? Ei!... Ei!... Psiu! Você se acha justo?
Todos se entreolham e o interno diz para a vendedora de cachorros-quentes:
-- Você não seria uma boa governante; pois, para começar a história, a sua filhinha foi violentada e você nem quis escutá-la... Eu a ouvi comentar com uma amiga ontem, coitadinha dela! Ela disse que você não a escutaria... Se você não foi justa nem com a sua própria filha, como é que seria o seu governo? Mandaria matar todas as pessoas que não concordassem com a sua tirania? O mundo não precisa da sua injustiça... O mundo já tem um modelo de justiça para ser seguido...
E tendo ouvido isso do interno a vendedora de cachorros-quentes sai correndo, desesperada, gritando pelo nome da sua filha, esquecendo ou não dando mais importância alguma ao seu carrinho de cachorros-quentes.
E todas as pessoas que estavam no ponto de ônibus sairam envergonhados sem dizerem uma só palavra. 



FIM

Obrigado por ler o meu pequeno livro até o fim.
Se você quiser e puder pode indicar para amigos!


Obrigado a todos,
Isaias Amorim


Agora vamos ver alguns poemas


POSSO TE CONTAR UM SEGREDO?

Se eu tivesse coragem de contar um segredo,
Guardaria só para si?
Acreditaria que eu nasci um anjo?
Que eu vivia no céu,
Que lá é um lugar muito lindo?
Acreditaria se eu te confessasse isso?
Acreditaria se eu te confessasse ainda,
Que ao te ver me apaixonei?
Acreditaria que se eu te contasse,
Que renunciei a minha imortalidade,
Quando pedi para nascer humano, por amor a você,
Mesmo sabendo que eu poderia,
Não conseguir despertar seu em coração meu amor?
Mas eu não poderia ficar no céu com meu coração na Terra,
Então arrisquei, lutei por meus sentimentos,
Mesmo sabendo que nunca mais poderia voltar a ser anjo, tentei amar.
Mas todos os anjos torcem para mim,
Você acreditaria se eu te confessasse tudo isso?
Você, pelo menos acredita que se eu fosse um anjo,
Eu faria isso tudo pelo seu amor?
Sim, eu faria,
Por seu amor acho isso pouco,
Faria mais do que isso,
Faria qualquer coisa só para ter a chance de ser o seu amor,
Agora você entende a razão de eu ser Poeta?

Isaias Amorim

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QUER NAMORAR COMIGO?

Se você aceitar o meu pedido,
Se você puder se namorar comigo,
Eu, prometo a você, tornarei-a,
A segunda pessoa mais feliz desse mundo...

Todos os dias farei-lhe poemas,
Alguns serão lindos, outros melhores, alguns sublimes,
Cada dia, cada hora, cada minuto, cada segundo,
Vou amá-la cada vez mais e mais...

Se você aceitar o meu pedido,
Se você puder aceita-lo,
Ninguém, nesse mundo,
Ninguém mesmo será mais feliz do que eu!

Isaias Amorim

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Posso pedir?

Se eu pudesse ser atendido em um desejo,
Solicitaria ao meu benfeitor,
Que me concedesse essa graça,
Que alguém igual a você se interessasse por mim.
Pediria que ela fosse exatamente igual a você!
Igual em tudo,

Em quase tudo!
Diferente num aspecto apenas,
Que ela não me olhasse apenas como um amigo...

Se um dia eu estiver nessa condição de pedir um amor...
Se um dia eu puder...
Se...

Posso pedir você?
Posso pedir que você seja o meu amor?
É a você que amo...

Isaias Amorim

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NÃO SE ASSUSTE

Se, às vezes, quando estamos fazendo amor,
Paro e fico muito tempo te olhando,
Não pense que não a amo,
Ou que sou distraido,
É que eu acho você tão linda,
E sua beleza me encanta,
Suas belezas, todas elas, me fascinam.

Se, muitas vezes,
Quando estamos fazendo coisas serias,
E eu te roubo um beijo,
Não se assuste,
Adoro seus beijos,
E quando olho para a sua boca ela me convida,
Se depois do beijo eu tirar a suas roupas,
Depois as minhas,
Não fique assustada,
Eu amo amar você.

Se quando a gente se amar a tarde toda,
E eu querer mais e mais,
Não se assuste não isso,
É que você estimula meus desejos.

Isaias Amorim



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BEIJO

Beijar é bom
Adoro beijar
Já beijei Muito
Beijei algumas garotas
Cinco desses beijos me foram roubados
É uma delicia ser roubado assim
Eu nunca roubei
Tenho medo
Como será o gosto de beijo que roubamos?
Acho que eu morreria de medo
Será que eu poderia te assaltar?
Poderia me dar um sinal?
Você poderia fazer gestos
Pequenos circulos
Usando um dos dedos sobre a mesa
Ou, ainda, melhor
Em volta de sua boca linda

E isso poderia me ajudar a perder o medo
De roubar o gosto de seus beijos

Isaias Amorim

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DIGA-ME COMO FAZ ISSO?

Uso muito tempo do meu dia,
Imaginando como você consegue,
Improvisar essas coisas todas,
Diga-me como consegue realizar tudo isso?
De que maneira agiu para fazer o mundo ficar mais colorido?
Qual é a magia que usa para me fazer feliz ao pensar em você?
Como inventou o arranjo para fazer meu coração bater mais rápido ao te ver?
Qual é o encanto que você usa para ser a mulher mais linda que meus
olhos já viram?
Como arquitetou para me fazer tremer totalmente ao te ver?
Como arranja para acender uma chamar dentro de mim quando me olha?
Como consegue fazer o ar faltar ao tocar a minha mão?
Que mágica fez com minhas emoções,
Quando te beijei e perdi a consciência?
Qual a magia que vai usar em mim quando nos amarmos?

Isaias Amorim


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BEIJO (desejo)

Estende-me seu coração
e me introduza dentro dele,
Desdobra-me sua alma
e deixa-me entrar e conhecê-la,
Abra-me sua boca
e me arranque um beijo,
Encompride seus braços
e me adote com seu carinho,
Alongue suas pernas
e me receba dentro de você,
Estou seco,
Encontro-me com frio,
Aqueça-me,
Encharca-me,
Com seu líquido quente
e único,
Desejo,
Beijo,
Quero,
Espero,
Beija minha boca,
Faça isso como uma louca,
Escala-me,
Galope-me,
Surpreenda os colibris
com a violência
e sutileza de seus movimentos,
Amemos-nos até morrer de amor!          
Mas, antes me abrace bem forte...

Isaias Amorim


SONHO LINDO (Contato)

Meu maior (e único) CONTATO com você (ó ser ideal),
sempre foi em sonhos, em meus sonhos.
Nessa fantasia estamos numa nave espacial que simula uma cápsula de
vidro em meio ao espaço distante e infinito:
estávamos a sós:  Você (como sempre) linda...
.Imagina-la ali parada me esperando, deixa-me repleto de desejos...

Eu não resisto e é claro que vou beija-la,
 trocar mil beijos com você.
...Beijar a sua face tão linda...
...Sentir sua fragrância, seu gosto...
...Isso tudo aumenta ainda mais o meu desejo, nossa vontade...
Quero compartilhar meus sentimentos com você...

...Ah, só beijar a sua face não me satisfaz (claro que não!)...
...Beija-la, totalmente, faz parte das minhas ambições e desejos...
Mas, como vou  beija-la com essas fantasias (roupas) cobrindo-a,
protegendo-a de mim?
Afastando-me do seu calor, do seu amor,
privando-nos de algo que queremos tanto?.
...Mas, de repente, com um gesto de atrevimento e ousadia,
depois de muitos beijos na sua superfície,
 você começa a perder suas roupas, seu pudor, sua resistência...

...Cada peça da fantasia de menina bem comportada que você perde, mais
carinho ganha, e perde, ao mesmo tempo, cada vez mais o medo e a
necessidade de me evitar (de me fazer esperar!)...
...Quanto mais suas roupas a deixam, mais linda descubro que é...
...Ah! Lindo é poder olhar a face sua, contempla-la: com um simples
olhar consegue transmitir-me o quanto me ama e a dimensão do seus
desejos, e isso tudo me deslumbra ainda mais...

...Cada delírio, cada sussurro, cada gemido seu que escuto
mais generoso com os carinhos fico...
...Nossas roupas flutuam pela Gravidade Zero...
Flutuam como as minhas emoções e desejos...
É assim que me sinto ao estar com você...  Estar perto de Deus...
Ser observado de perto pelo Criador... Que privilégio!

...Ah! O Universo infinito: gigantesco, mas, tão pequenino, nesse
instante, quando o comparamos ao meu amor e desejos por você...
...Delírios, delírios, delírios e sussurros mil...
Sensações que tomam o meu ser...
...Seus beijos embriagam-me mais que qualquer vinho
que eu tenha provado; desatina-me com seu cheiro, com sua voz,
com suas doces palavras: amo tudo em você, sabia?...
...Cativa-me; prenda-me em você: liberte-me de tudo...
...Meu corpo parece só pensar no seu corpo...
Minha alma só pensa na sua
(está ouvindo a minha vontade chamando-a, clamando por você?).
Tudo que me importa agora, nesse instante mágico,
é saber quais são suas fantasias e realiza-las:
todas, mesmo aquelas que se seu pai soubesse que as possui a colocaria
de castigo e nunca mais a deixaria ter um novo CONTATO comigo, nunca
mais...

...Seu corpo todo treme (e não sente frio)...
Delira (e não está febril)...
...Beijos deliciosos tomam conta dos nossos corpos.
...Seu olhar me diz sim, o meu sempre lhe disse isso:
Sim, sim e simmmmmm...
...No silêncio do espaço só ouvimos os sons dos nossos corpos nos
convocando reciprocamente (talvez desesperados!)...
És, verdadeiramente linda, e, todo o desenho do seu corpo é tão
inspirador: eternizarei-a em versos meus que furtei de você, versos
esses que farão de mim o maior entre todos os poetas!
Tudo que é dito por você é tão lindo...
...Eu a esperei por infinitos dias...
Procurei-a em todos os lugares! Encontrei-a!
Diga que deseja fazer uma nova vida (filho) comigo...
...Consegue imaginar um bebezinho voando para os braços seus
chamando-a de mamãe e a mim de papai?
...Será que ele vai ter os seus olhos?...
...Qual será a cor dos cabelos dele?...
...Será que ele vai ter o seu sorriso sempre doce?
...Com quem será que ele vai se parecer mais?
...Confirme-me que você está a ovular nesse instante?
...Eu sei, está pronta sim, pois, mais linda do que nunca a vejo...

Adoro os seus doces beijos... Adoro tudo em você...
...Quero ser o seu tudo...
...Seu Céu, sua Lua... Seu amor...

És o meu SONHO LINDO (que finalmente aconteceu!).
...Quero compartilhar tudo com você...
(apesar de só ter o meu amor puro e sincero, além dos meus sonhos,
desejos e planos, para lhe oferecer).
...Agora nenhuma das peças da sua fantasia estão me impedindo de
contemplar-la e ver como és: um ser lindo por inteiro, pois as nossas
roupas estão flutuando, iguais as emoções minhas...

...Quero tudo o que eu sonhei,
quero até mais que isso (e nem sei se te mereço); serei digno?.
...Quero, com muito amor, fazê-la deixar de ser uma menina
 e torná-la uma mulher que saiba amar e ser amada...
...Quero que conheça, com os melhores dos sentimentos,
todo o meu amor, todas as minhas vontades e desejos...
...Quero que perceba meu corpo falando ao seu uma linguagem que não dá
para descrever, só dá para sentir...

...Olha lá embaixo, o meu planeta natal:
o lugar onde nosso filho vai nascer, crescer, morar e viver...
...Tempos de guerras, tempos de crises e nós aqui em cima,
só pensando no amor, planejando o nosso filho, nosso futuro
(crescei-vos e multiplicai-vos!)...
...Quero que perceba o quanto eu a amo em cada gesto meu,
em cada toque, em tudo que eu lhe ajudar sentir, descobrir...

...Quero atrevidamente beijar seu corpo, cada pedacinho dele:
distribui-los, esses beijos, proporcionalmente por seus braços,
pernas, pescoço, orelhas, boca, nuca, coxas, tudoooo...
...Ah, meu amor! Serie mais atrevido ainda ao sentir o mais sublime
dos paladares ao provar o delicia do mel do seu sexo...

...Atos sagrados, atos profanos acontecem e se misturam aos nossos
desejos: tomam conta da cópula, do prazer e tudo que nos cerca...
...Sinto que o momento é o exato,
o seu corpo começa a receber o meu...
...Você o recebe e me sinto honrado, privilegiado...

Envolve-me em seus braços! Prenda-me em suas pernas!
("prenda-me?” de que forma poderia estar “preso”?, se em você,
que, eternamente, quero estar!?)...
...Será que Deus vai nos castigar por isso?
...Acho que não: ELE conhece nossas almas e intenções...

...Nesse momento, nem sei mais o que é profano ou sagrado:
só sei dos meus desejos e planos...
És uma divindade, prepararás um filho para mim, para nós,
entendo esse ato como santificado,  sinto-me fascinado mesmo fazendo tão pouco,
você que fará tudo sozinha: só tenho que esperar.

Amorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr...

Abraça-me bem forte agora!
...(choro)...

"vem, filho, vem voando para o colinho do papai!?"

Isaias Amorim




Por favor, adiconam-me e me compartilhem!

Obrigado,   Isaias Amorim 

3 comentários:

Celina Caetano disse...

Incrível seu trabalho!!!

Celina Caetano disse...

Juntar filosofia, politica social e ciências é sempre uma forma inteligente de otimizar e abordar assuntos do dia a dia que tenham relevância no nosso mundo.

Almira Ferraz disse...

Almira Ferraz disse...li e recomendo a todos amigos esta história escrita por Isaías Amorim, tem conteúdo de fácil entendimento.que todos posam se identificar nesta história onde nos seres humanos erramos e podemos através deste blog corrigir nossas atitudes e pensamentos .uma história contada com fatos do nosso cotidiano.vale a pena ler!